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domingo, 30 de maio de 2010

Discutindo a Massa Crítica

Aproveito esse espaço para pedir desculpas à pessoa que discutiu comigo, minhas respostas enfáticas e por muitas vezes irônicas só prejudicaram o debate. Por estar tão engajado nessa causa, esqueço que as pessoas "de fora" não percebem as coisas como eu, o que é lógico e natural para mim, pode não estar claro para os outros.
Assim, eu aconselho a todos muita calma nos debates e que se evite a todo custo a ironia e expressões inadequadas, ai com certeza o debate pode ser mais produtivo.

Explicando

Após a massa crítica de maio, onde participaram em torno de 50 ciclistas, conversando com uma pessoa que respeito muito e considero muito inteligente, a respeito de como foi a massa, utilizei uma expressão normalmente dita entre os ciclistas com um certo sentimento de "vingança" devido à diferença abissal de tratamento dado ao ciclista e ao motorista diariamente, e isso causou um efeito surpreendente para mim.

No dia da massa, aquelas ruas por onde passamos são por alguns instantes nossas, com 50 ciclistas, acabamos ocupando a rua inteira, e apesar de alguns pedirem para sempre deixarmos uma pista livre para passagem de outros veículos, isso dificilmente ocorre, impossível controlar todos os integrantes, pois a massa crítica não tem líderes, somos todos iguais.

A expressão que utilizei: "Foi maravilhoso, trancamos todo trânsito" . Bem, quem é ciclista ativo na causa, entende muito o que se está falando, ele sabe que nós também somos o trânsito, e naquele momento estamos fazendo um protesto, manter por alguns instantes aquelas ruas congestionadas, com bicicletas, ocorre de forma tão natural quanto para os motoristas mantê-las congestionadas durante todos os outros instantes.

Mas para quem não é um cicloativista, a expressão pode soar de uma forma totalmente diferente, que gera uma série de discussões, argumentações e para pessoas mais estressadas (uma grande parte da população devido ao estilo insano de vida da cidade) gera ansiedade, discussões mais acirradas, improdutivas e nada saudáveis. Enfim, penso que expôr os argumentos e analisá-los pode ser muito útil.

Analisando

1) Umas das resposta que obtive foi: " muito lindo isso, trancado tudo e as pessoas cansadas indo pra casa dentro dos carros sem conseguir sair do lugar"
Aqui, o argumento é simples, normalmente quem está de carro no horário do Rush, já está congestionado todos os dias, a massa crítica não é responsável pelo congestionamento, estamos lutando para mudar isso um dia;

2) "E se tem alguém passando mal, querendo chegar num hospital, vocês estão trancando tudo"
Minha resposta imediata foi a mais infeliz: "Não tinha nenhuma ambulância" como se só dentro de ambulância pudesse ter pessoas passando mal, fui um idiota aqui, só consegui revoltar mais a pessoa, o que tornou tudo mais difícil.
Eu me sentiria muito culpado se alguém tivesse um atendimento médico prejudicado pela massa. Mas, eu me pergunto quantos atendimentos são prejudicados diariamente pelo congestionamento dos carros? Qual a probabilidade de justamente naquela 1h30min de massa crítica, exatamente naquelas ruas que permanecemos por poucos instantes, esteja ocorrendo uma emergência, e a massa esteja impedindo sua passagem? Mesmo sem saber ao certo, eu arrisco uma resposta, é muito pouco provável que a massa crítica prejudique um atendimento médico de emergência;

3) "Tu tá pensando só em ti, pra ti é mais fácil ir de bicicleta,pois tem vestiário no teu trabalho, e tu quer que todo mundo só ande de bicicleta"
Com certeza aqui, tanto eu quanto a pessoa já estávamos alterados e as discussões foram improdutivas.
Eu não penso só em mim e no resto dos ciclistas, eu penso em todos, mostrar que a bicicleta é uma alternativa, protestar por uma melhor estrutura para o ciclista, são tentativas de melhorar o trânsito de todos, eu não penso que todo mundo deveria estar de bicicleta, penso sim que a grande maioria não deveria usar carros particulares o tempo todo, coletivos e bicicletas deveriam ser as primeiras escolhas, isso significaria uma diminuição imensa de carros nas ruas, fim de congestionamentos, uma cidade com menos poluição do ar e sonora, uma vida mais saudável para todos;

4) "Vocês querem que as pessoas andem de bicicleta, mas é muito perigoso"
Realmente é perigoso, cheguei a conclusão que andar de bicicleta no meio do trânsito não é para qualquer um, a pessoa só deve fazer isso quando se sentir segura. E é por isso mesmo que fazemos a massa, além do protesto em si exigindo estrutura, respeito, mostrando que cada bicicleta na rua é um carro a menos na rua, também estamos naquele momento pedalando com a segurança que um grupo grande proporciona. Estamos espalhando alegria, é muito bom ver vários motoristas, passageiros, pedestres sorrindo e apoiando o movimento.


O Que Penso a respeito da Ocupação de Toda a Rua pela Massa Crítica?

1) Embora eu ache que os motoristas que pensam que estamos ali atrapalhando o trânsito, ficarão bravos de qualquer forma, tem muito motorista simpático à causa que não se importará, tem também aqueles que se deixarmos um espaço podemos conquistar a simpatia, e também temos os coletivos que estão lotados de pessoas que merecem passagem justamente por não estarem de moto ou dentro de um carro. Além disso poderíamos estar facilitando o fluxo para uma emergência;

2) Dependendo da quantidade de ciclistas e da rua que passamos é impossível deixar espaço, em avenidas de 3 pistas podemos nos esforçar mais para deixar uma para os carros e coletivos, mas em avenidas ou ruas menores e que ainda tenham estacionamento de um lado e muitas vezes dos dois fica impossível deixar espaço, de qualquer forma rapidamente desocuparemos aquela rua específica, e lembrem-se a massa crítica ocorre apenas uma vez por mês e durante o período de 1h30min, passando por diversas ruas, não estamos parados ocupando apenas um espaço por este tempo, estamos em movimento sempre!

O Que Penso do Estacionamento de Carros ao Longo das Ruas?

Esse é um assunto muito polêmico que também foi discutido, e é muito importante que seja bem esclarecido.

1) Um carro estacionado na rua está ocupando um espaço público, assim temos de certa forma, a privatização desse espaço, é injusto para todo o resto da população que não tem carros;

2) "Tá, mas se proíbem o estacionamento nas ruas onde vou estacionar?"
Como já disse o Enrico Peñalosa (ex prefeito de Bogotá) - "Estacionamento não é um direito constitucional em qualquer país" assista clicando aqui ou aqui

3)Uma pessoa que quer estacionar seu carro deveria fazer em um estacionamento privado.
"Tá mas não é em todos os lugares que tem estacionamentos privados"
Bem, ai estaria mais um motivo para se deixar o carro em casa e utilizar um outro meio de transporte, de preferência um coletivo ou em determinados casos até um táxi.
Os motoristas poderiam exigir estacionamentos em estabelecimentos que frequentam por exemplo. Muitos motoristas já pensam em onde vão deixar seu carro, muitos não deixam o carro na rua, é óbvio que isso gera um gasto maior com o carro, e essa é uma excelente forma de desestimular o uso de carros, normalmente quem tem um carro o utiliza sempre e para situações que poderia utilizar um outro meio de transporte.

4) "Mas os coletivos são muito ruins!" Concordo, então vamos lutar para melhorá-los, vamos exigir isso do poder público, a massa crítica também tem esse objetivo.


29 comentários:

Márlon Prado disse...

Olá Olavo, acho que disse tudo e ficou bem claro. Ainda que a Massa Crítica tenha trancado a rua, penso que o efeito de avaliação foi muito melhor, pois faz as pessoas de fora pensarem sobre o que está acontecendo ali, ao invés de ter sempre uma faixa livre (que seria o ideal) onde todos os veículos passariam muitas vezes sem perceber o que está acontecendo ali. Quando ocorrem emergências facilmente percebemos, e quem é que vai ficar na frente de uma ambulância com a sirene ligada; bom, acho que ninguém. Obrigado por me permitir conhecer o movimento, pois ainda não sabia desse e acho de muita importância.
Abraços,
Márlon Prado

Anônimo disse...

http://blog.ta.org.br/2010/04/22/massa-critica-falha-critica/

sergiok disse...

Muito boa a discussão, Olavo.
E legal também o link do Anônimo.
Por isso é importante que a Massa Crítica tenha todo o tipo de gente e que não coloque os motoristas contra a parede, mas provoque reflexão e faça eles mesmos se colocarem contra a parede.

Marga Comassetto disse...

Olavo, falaste tudo. Não acredito que numa avenida de tres mãos a massa tenha que impedir o transito. Acredito que o objetivo é justamente o paralelo. Mostrar opções: Tu podes sair com teu carro, ficar parado num congestionamento, ficar numa parada de ônibus, ou ainda sair com tua bicicleta, democraticamente. O movimento passando com pessoas alegres, desestressadas, convidando a compartilhar este prazer, no meu ponto de vista, é melhor que simplesmente um bate-boca por impedir a passagem.
Como iniciante, mas apaixonada pelo movimento vejo que teremos muito que discutir para que esta massa não cause indigestão...
Adorei teu texto.. Obrigada Olavo.

Raul Sanvicente disse...

Grande Olavo: Muito lúcidas as tuas observações e certamente servem como inspiração e esclarecimento para tanta gente que sente isto mas não pôde ainda se expressar.
Abraços.
Raul

Anônimo disse...

Caros colegas ciclistas: Embora seja a primeira vez que participo de uma massa critica propriamente dita (participei de outra, onde apenas meia duzia estava), e portanto ainda não tenho uma noção exata de como ela é em outras cidades, fiquei plenamente convencido de que é um gigantesco erro trancar toda uma pista impedindo a passagem dos veículos. Como é que se consegue ser respeitado? Simplesmente respeitando o direito dos outros. A meu ver, durante todo nosso trajeto seria perfeitamente possível que ocupássemos apenas uma pista, o que daria, com sobras, para pedalarmos tranquilamente. Sei que vou ser criticado por muitos por essa opinião. Mas, para mim, do jeito que nos comportamos, foi um tiro no ´pé, ao invés de obtermos a simpatia de muitos motoristas, fomos vistos como um estorvo, simplesmente pelo fato de, na maior parte do percurso, ocuparmos toda a via. E o ciclista que foi comigo teve exatamente a mesma opinião minha, inclusive afirmando que, se continuar assim nunca mais participará deste evento.

Sergio

Anônimo disse...

1. Na minha opinião, sujeita a reparos, tem uma questão lógica neste ponto de trancar/não trancar. Não somos tantos assim. Quando formos muitos, o trancamente se justificará normalmente. Vi em alguns momentos duas bicicletas na frente dos carros e andando bem devagar na frente deles. É sem sentido. Não acho que seja bom para o movimento. Agora, quando formos mil, dois mil, será natural trancar porque praticamente não teremos muita alternativa. E o próprio motorista verá que faz sentido.
Normalmente, a bicicleta sozinha no trânsito não tem nem uma pista. Isso porque quando estamos sós, é difícil que o poderoso carro perceba que "nós também somos o trânsito". Dez mil bicicletas, bom, daí é outra história. Não adianta nos comportarmos como se fôssemos muitos, quando vivemos numa cultura violenta e que se torna mais violenta quando armada com um carro.
2. No mais, atrair a simpatia é mil vezes mais produtivo para uma cultura da bicicleta, que é uma cultura da paz, do que ir para o enfrentamento. E foi o que ocorreu neste MC de maio, que também na minha opinião foi um sucesso em termos de apoios.

Anônimo disse...

Concordo com os dois últimos "anônimos" (posts anteriores). Acho que o confronto não ajuda ninguém mas serve apenas para dar sensação de poder ao pretenso militante. Digo isso por me considerar um simpatizante. Eu uso a bicicleta regularmente, reinvidico condições para uso (paraciclos em lojas, faixas etc) e educo minha filha e suas amiguinhas ao uso da "bici". Apesar de não me rolutar como militante eu reconheço que o confronto sempre é prejudicial. Quem já não tem simpatia, fica ainda mais resistente. Trancar a rua parece uma tentativa de punir aqueles que *ainda* estão no automóvel. Para tentar conquistar meu lugar no mundo como ciclista eu convido às pessoas a pedalar, mostro que é possível viver sem carro (vendi o meu) e, principalmente, respeito quem não quer ou não pode adotar a bicicleta, ônibus ou mesmo virar pedestre. Mesmo amando a bicicleta como eu amo, não gostaria de sair da ditadura do automóvel para a ditadura das bicis....

Anônimo disse...

Esta discussão, pelo visto, vai longe. Éerteza de uma coisa dela que nasce a luz! Concordo plenamente em um ponto: para conquistarmos a simpatia de todos, nada de trancar toda pista, como aconteceu nesta última sexta-feira. Até a mais desinformada e ignorante criatura sabe que o direito de ir e vir é sagrado....Podem ter certeza de uma coisa: se continuarmos trancando todas pistas durante o Massa Crítica, certamente este evento vai se tornar caso de polícia.

Klaus disse...

A Massa Crítica é uma maneira encontrada de lembrar o cidadão comum de que a bicicleta existe e que tem muitos ciclistas circulando pela cidade.

Quem não usa a bicicleta não percebe a presença dos ciclistas nas ruas. Simplesmente não vê ou processa aquele borrão no canto da visão como um objeto a ser levemente desviado esquecendo que ali tem um ser humano tracionando o meio de transporte de um potencial futuro em que as pessoas vivem em harmonia umas com as outras e com o meio ambiente.

Com a Massa Crítica os motoristas não tem como não dar mais espaço em sua mente para processar a imagem do ciclista que:

" espera aí!! São pessoas bonitas, faceiras, saudáveis isso tudo sem ter um possante como o meu. Como pode ser? O personagem da novela é tão bonito, faceiro e elegante e só anda de carro!! Ué... Eu não estou feliz agora isso que comprei o mesmo carro do galã :-( Puxa, to entediado como todos dias!! Será que a novela ta errada? "

Caso tenha uma emergência medica dentro de um automóvel é muito fácil perceber pela maneira que o motorista irá fazer soar sua buzina. Nossa comunicação é 90% dinâmica, entoação e timbre de voz então uma buzina soando em desespero é totalmente diferente de uma de apoio e outra de protesto.

Eu sou a favor de trancar ruas de até duas faixas pela segurança da Massa justamente pois não existe consenso e pela faixa livre alguns motoristas estressados podem passar zunindo e comprometer a segurança de um ciclista da massa que estiver distraído ou confuso entre ocupar todas faixas ou não.

Nosso trajeto foi fantástico pois ficamos pouco tempo em cada rua e com isso o trancamento foi sempre por muito pouco tempo. Combinar o trajeto é excelente!!

Abraços!! :-)

Marly disse...

Nunca nos esqueçamos que, a Mass Critical surgiu na China, e que lá (a passagem obrigatória faz-se no grito, dos ciclistas, é claro)!
Já fui atropelada por um coletivo, e o mesmo em plena luz do dia, nem parou! Os motoboys (são outros grandes causadores de acidentes envolvendo ciclistas; ninguém vê nada quando se trata de acidente com bike nas ruas, avenidas, viadutos, estradas, etc. Eu tenho um exemplo, prontinho: passem em avenidas e locais de venda de veículos que, vocês verão oque é de fato trancar o trânsito!
Trancou a rua? Manda tomar um chá de civilidade para quem reclamar que, só mesmo por aqui, na América latrina é que se maltrata e desrespeitam os menos prevalecidos no trânsito!

Fabio Lazzarotto disse...

Grande Olavo! Só uma consideraçao: Se estes mesmos 50 que participaram da Massa Crítica estivessem cada um com um carro, não estariam atrapalhando muito mais??

Anônimo disse...

Acredito que não dá para perceber a diferença entre buzinada de irritação e buzinada de emergência. A buzina tem o mesmo tom e, dependendo do humor do motorista, é tocada com a mesma intensidade nas duas situações. A idéia de "se você gosta de bicicleta, dê uma buzinada" é excelente por que subverte a única forma de xingamento que os motoristas tem. Mas creio que não é tão fácil perceber os casos de emergência dentre os motoristas enraivecidos. E o argumento de que "as chances de se existir uma emergência durante a massa crítica no percurso que ela faz" é fraco. Se há chance, devemos evitar trancar o que é desnecessário. E a proposta não é essa,de qualquer forma.

Olavo Ludwig disse...

http://portoimagem.wordpress.com/2010/05/30/porto-alegre-transito-padece-com-o-aumento-da-frota/

sergiok disse...

Um ciclista sozinho deve procurar ocupar o seu espaço. Deve ocupar uma faixa, se necessário, ao invés de arriscar mais a sua segurança ao ficar espremido entre uma faixa de carros e o meio-fio ou os carros estacionados (que podem abrir uma porta a qualquer momento). Isso é prática recomendada de segurança.
Da mesma forma acho que a Massa Crítica deve ocupar o seu espaço em razão da segurança. Com o porte que a Massa está devemos sim ocupar avenidas de duas pistas. Na Massa Crítica de Abril percebi que se deixarmos uma pista livre é muito difícil fazer com que os carros passem devagar. Tem uns que respeitam mas outros que passam raspando pelos ciclistas colocando a segurança em risco. Mas acho que também não temos massa suficiente pra ocupar uma avenida grande como a Ipiranga.
Mas ao ocuparmos uma, duas ou três faixas o nosso objetivo não deve ser de obstruir o trânsito, mas sim de ser o trânsito. O que é contraprodutivo para a massa e gera antipatia é ficar pedalando devagar pra trancar os motoristas. Temos que pedalar em uma velocidade normal.

Por outro ponto de vista, quando trancamos a rua causamos um impacto maior. Tanto em nós mesmos quanto nas outras pessoas que estão pela rua. Por um ou dois minutos elas vão poder ver a rua sem nenhum carro, mais tranquila, e ver o rosto daquelas pessoas que estão se divertindo enquanto se deslocam nas bicicletas. Isso eu acho ótimo.

Helton Moraes disse...

Quanto a isso de trancar ou não trancar, vejo de duas formas totalmente diferentes:

1) Certa: seguindo a própria definição de "Massa Crítica", QUANDO a quantidade de bicicletas for tão grande que, mesmo trafegando a uma velocidade normal para uma bicicleta, e sem intenção de trancar nada, a via acabar trancada. Nesse caso, aos motoristas só resta esperar, como todos nós estamos acostumados - diariamente - em condições análogas (engarrafamentos).

2) Errada: como foi dito alguns comentários acima, um ou dois ciclistas, em baixa velocidade, propositalmente NO MEIO da pista sem necessidade, em tom de provocação.

Galera, uma coisa é bicicletada, outra é massa crítica (tá bom, tá bom, eu sei que esses conceitos não são tão claramente separados), mas a idéia primordial da massa crítica é ter MASSA, ou seja, MESMO CIRCULANDO NORMALMENTE, que a massa de bicicletas seja tão grande que supere a "influência" do peso, da velocidade e da potência do automóvel, e acabe dividindo a via em condições "mais ou menos" de igualdade.

* A propósito, pretendo ir na próxima. Minha esposa diz que não prefere ir porque não curte muito pedalar no trânsito em condições estressantes. E é por isso mesmo que eu vou: para fazer alguma coisa (pequena, talvez equivocada) na tentativa de mudar a condição estressante e selvagem do trânsito.

Luís Andrade disse...

Olavo

Concordo com tudo isso porque já andei muito de bicicleta nessa vida.
Porém vejo algumas dificuldades para muitos.
Imaginemos o Sr.X,Sr.Y e o Sr.Z.O trabalho do Sr.X exige terno, gravata e que esteja "apresentável". O Sr.Y usa roupa cotidiana e é vendedor de uma loja. O Sr.Z realiza trabalho braçal em uma obra.
No ambiente de trabalho dos Srs X e Y não há chuveiro para banho. Para o Sr.Z existe chuveiro que divide com os colegas.
Bom...
Considerando que um profissional, e qualquer pessoa, deva ter higiene e tomar banho os senhores X e Y não teriam como usar bicicleta para ir ao trabalho sob risco de perderem o emprego pela "catinga". Conheci muita gente fedorenta que não tinha como trabalhar .Suor, mau hálito,etc.
Concluindo podemos ver que, apesar da vontade, nem todos podem fazer uso da bicicleta onde as temperaturas do ar podem chegar a 40ºC. Escrever coisas bonitas e as vantagens para um mundo sustentável e melhor todos sabemos. O problema é quando se vai para o planejamento e aparecem os detalhes.
É como novela que aparece o socialmente correto. O detalhe da empregada lavando o banheiro ou lavando roupas quase nunca aparecem.
Acredito que um movimento por mais ciclovias,conscientização das empresas em disponiblizar local de banho e apoio governamental tragam resultados a médio e longo prazo.
Fica a questão da Segurança do Trabalho no deslocamento para o emprego...Mas isto já é outra questão.
Fica um link interessante:
http://www.londoncyclist.co.uk/features/how-do-you-get-around-the-no-shower-at-work-problem/

Abraços

Luís Andrade

edugfortes disse...

ou entusiasta do uso da bicicleta como meio de transporte e acredito que só a união entre os ciclistas, arquitetos e urbanistas e outras iniciativas pode trazer uma solução de médio prazo para o problema, pois precisamos adaptar a cidade projetada para o automóvel para a bicicleta e transporte coletivo. quanto a esse movimento, se nós ciclistas queremos respeito ao nosso espaço precisamos respeitar o espaço que consideramos adequado aos carros.

Sérgio T. disse...

> sob risco de perderem o emprego
> pela "catinga". Conheci muita
> gente fedorenta que não tinha como
> trabalhar .Suor, mau hálito,etc.

Seguindo essa lógica então quem anda de carro sem ar condicionado ou em um ônibus lotado também perderia o emprego por causa da "catinga"... se a pessoa pedala de forma normal não "competitiva" o suor é tanto quanto em uma caminhada.

takeshiro disse...

Eu acredito ser importante diminuir a velocidade do trânsito com a massa em todas ruas que não sejam avenidas rápidas.

São dois motivos: segurança de todos na massa e efetivamente chamar a atenção para nossa causa.

Por avenidas grandes e rápidas passam emergências vindas de uma área muito grande então deixamos uma faixa livre. Agora em ruas pequena só irão passar emergências que acontecam exatamente naquela localidade e aí o motorista irá se pronunciar não só com a buzina mas também gritando e logo a palavra "emergência" vai chegar no ouvido de um ciclista a informação irá fluir e imediatamente a pista será liberada.

Milhares de ocorrências são atendidas dezenas de minutos mais tarde que poderiam ser caso o trânsito fluísse com mais pessoas utilizando o transporte coletivo e a bicicleta.

Não acredito que qualquer coisa é justificável para se atingir um utópico fim porém a massa crítica é formada unicamente por pessoas que transpiram energia boa e encontram na massa uma maneira de iluminar a vida de outras pessoas para que todos possamos viver em um mundo melhor.

Não iremos prejudicar ninguém diminuindo a velocidade de algumas ruas por curtinhos minutos.

Precisamos nos preocupar com a segurança de todos ciclistas da massa e por isso ocupar todas faixar pois deixando um espaçinho para carros/armas passarem embravecidos podemos estar criando a oportunidade para surgir um acidente grave.

Anônimo disse...

Se a questão é segurança dos ciclistas, não vejo a razão pela qual é mais seguro NAõ deixar uma faixa. Um motorista enfurecido pode encostar nos que estão mais atrás. Também gera insegurança.
A in(segurança) está posta e convivemos com ela diariamente.

Outra coisa: há muitas razões pelas quais pessoas que gostariam de estar de bicicleta não estão. Algumas já foram ditas (e discordo de que o suor do caminhante seja igual ao do ciclista, por mais que este pedale devagar. além do que não estamos comparando caminhantes com ciclistas e sim motoristas ou passageiros com ciclistas). Mas há muitas outras. Uma pessoa doente, resfriada, com febre, muito cansada por alguma razão particular, naquele dia pode estar de carro. Não vou ser hipócrita aqui e dizer que só ando de bicicleta. Então assim como eu, deve haver outros no massa crítica que estão ali lutando para uma cidade mais humanizada mesmo que não tenha conseguido abolir o uso do carro.
Margot

Anônimo disse...

Sergio, vê bem o que foi dito sobre a ditadura das bicicletas. Qualquer imposição é ruim. Os ciclistas devem ser os primeiros a mostrar isso. Por isso a massa foi linda, porque tivemos número, estávamos alegres, fizemos um ótimo trajeto, não provocamos e não fomos provocados. Querem coisa melhor para desmanchar uma provocação do que um sorriso? Precisamos deixar este rastro de alegria e serenidade para que mais pessoas apoiem as bicicletas. Ninguém vai aderir à bicicleta se achar que os ciclistas são impositivos. Vou levar mais duas pessoas na próxima massa.

Risomá Cordeiro disse...

A massa é Critica por natureza porque Critica-la? rsrsr Tchê, fiquei morrendo de inveja e de alegria...Vendo os onibus e carros indo lentamente tendo que respeitar o andar da grande carruagem...a Massa tava Massa tava tri...e é pra isso mesmo causar coisas, causar inveja fazer pensar...nao doi é tao rapido a imagem é inesquecivel e para cada um por um motivo difente...se tiver que trancar; trancaremos onde poderemos ser Gentis, gentis seremos.... não é uma guerra so queremos respeito...os carros só sao respeitados porque sao armas que mata, e seus donos se sentem no direito,de desrrespeitar os demais...

Klaus disse...

Anônimos Gurmets quem são vocês?

Um motorista jamais irá ameaçar passar por cima de uma pessoa em uma bicicleta. Ele somente irá tomar uma atitude drástica se perceber que existe a possibilidade de burlar a manifestação. Aí muitos podem passar roncando suas bazucas fazendo soar sua masculinidade/insegurança/imaturidade.

Quando transito sozinho no meu dia-dia com minha reclinada de bambu eu respeito e ao mesmo tempo exijo ser respeitado pelos motoristas fazendo sinais que demonstram minhas intenções e conferindo no espelho se meu sinal foi captado e 99,9% das vezes ele é e eu eu sigo tranquilo.

Não estamos cercados de assassinos em série.

Eu também não só ando de bicicleta. Não é essa a idéia, não a minha pelo menos. Ao meu ver o esquema é ter ela como o meio de transporte do dia-dia para o trabalho para os dias que estamos dispostos a pedalar. Eu estou disposto 8 dias por semana, heheheh por isso vou quase sempre de magrela. Só de deixar de ir sempre de carro já é ótimo.

Aí quem consegue ir quase sempre de bike pode tranquilamente se desfazer de seu automóvel e utilizar taxis nos dias que precisar que sem dúvida a pessoa irá se estressar muito menos (manutenção do carro) e poderá investir seu dinheiro em outras coisas.

Abraços!!!

Marga Comassetto disse...

Concordo contigo Klaus, pois uso a minha para ir pro trabalho, quase todos os dias, e isso alem de me deixar mais feliz, faz perder peso.rsrsrs
Parte do trajeto uso a ciclovia e outra vou no meio do transito tentando me impor, mas não é muito fácil. Mas não desisto, sou responsável, sinalizo e obedeço a sinalização...abraços a todos

Olavo Ludwig disse...

http://ciclovencaourbana.blogspot.com/2010/05/we-are-traffic.html

Klaus disse...

Nossa Olavo!

Muito inspirador esse vídeo!!

Vi todinho, :-)

Eu fiz dois cartazes para minhas bikes. Os dois são iguais e dizem:

"
Eu sei que não parece mas te garanto que se você também fosse de bike iria chegar mais cedo e mais faceiro no trabalho!!
Vá de bike!:-)
"

Já estão presos nas bicis, :-)

Jamais enfrentar, seduzir, :-)

A Massa da última sexta que me inspirou para fazer os cartazes pro dia-dia, :-)

Um mundo melhor é possível!!

sergiok disse...

Muito bom o video, Olavo! Não conhecia.

Não fui na última massa crítica, mas ouvi falar da tua bike de bambu, Klaus. Muito legal!

Olavo Ludwig disse...

Muito bem pessoal, gostei muito dos comentários,esta foi a minha postagem com o maior número de comentários, e ajudaram muito a enriquecer o debate, interessante saber a opinião de todos. Gostaria de responder a cada um, mas achei melhor pegar algumas questões:

1)Importantíssimo a questão da segurança do pessoal na massa, e em algumas vezes, quando estava pedalando na parte de trás pude verificar que quando um espaço era deixado para os carros passarem, alguns passam muito próximos, a menos de 1,5m que é a distância legal e além disso muito rápidos;

2) Quanto a questão da possibilidades de usar ou não a bicicleta como meio de transporte, principalmente para ir e vir do trabalho, realmente existem diversas adversidades, mas todas podem ser resolvidas na maioria das situações, e se feito isso o nosso trânsito seria muito mais tranquilo, muito interessantes as ideias apresentadas no texto do link: http://blog.ta.org.br/2010/04/22/massa-critica-falha-critica/

3)Importantíssimo lembrar que além de um protesto, a massa crítica também é uma celebração,que deve ser divertida distribuindo alegria pela cidade;

4)O argumento que levanta a pequena probabilidade de haver uma emergência trancada pela massa, não é fraco, toda a Física Quântica é baseada em probabilidades e funciona muito bem.

5)Fique surpreso de ninguém comentar a respeito do estacionamento dos carros ao longo das vias, passamos por ruas que havia estacionamento dos sois lados, isso tranca muito o fluxo do trânsito,pois tranca o tempo todo,enquanto a massa se trancar tranca apenas por alguns minutos cada rua. Fiquei esperando um debate acirrado entre os defensores do estacionamento na rua e os que pensam que este estacionamento é uma privatização do espaço público.

Obrigado, por participarem do debate.

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