Olá!

Gostou do Blog?

Quer receber atualizações?

Insira seu e-mail:

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ciência ambiental: não troque as sacolas plásticas ainda

Bio é sempre bom?

Os sacos plásticos estão literalmente por toda parte. Embora aqueles usados para embalar produtos nos supermercados sejam o alvo preferencial dos ambientalistas, eles estão em praticamente todos os produtos vendidos no comércio.

Infelizmente, eles estão também pelas ruas, bueiros e nos lixões, uma vez que a estrutura de reciclagem é muito deficiente.

A substituição desses sacos plásticos por bioplásticos tem sido alvo de grandes discussões, havendo pesquisadores que afirma que as "leis das sacolas plásticas" erram o alvo.

Contudo, os reais benefícios ambientais, assim como eventuais desvantagens, da substituição dos plásticos por bioplásticos ainda não estão totalmente claros.

Por isso, Hsien Hui Khoo e seus colegas do Instituto de Engenharia e Ciências Químicas de Cingapura decidiram fazer uma avaliação do ciclo de vida das sacolas feitas com bioplásticos para verificar se elas são mesmo boas para o meio ambiente.

Avaliação do ciclo de vida

A avaliação do ciclo de vida (ACV) é uma técnica usada para analisar os impactos ambientais associados a todas as fases de um processo produtivo, com a elaboração de um inventário da energia e dos recursos consumidos e das emissões e dos resíduos gerados na produção de um determinado produto.

Os pesquisadores usaram a ACV para comparar o uso de sacolas feitas de polihidroxialcanoato (PHA) - um bioplástico à base de amido de milho - em relação às tradicionais sacolas de polietileno. O polietileno é atualmente o material mais usado para a fabricação de sacos de plástico.

A produção de sacos de polietileno requer a extração e refino de combustíveis fósseis, a conversão dos combustíveis fósseis em polietileno e a extrusão do polietileno em sacos plásticos.

Os pesquisadores calcularam que 1,22 kg de petróleo bruto, 0,4 kg de gás natural e 48 megajoules de energia são necessários para produzir 1 kg de sacolas de polietileno.

O PHA, por outro lado, é um bioplástico feito a partir do amido de milho. A produção das biossacolas de PHA envolve o cultivo de milho, colheita, moagem úmida e fermentação.

Os pesquisadores calcularam que 4,86 kg de milho e 81 megajoules de energia são necessários para produzir 1 kg de sacolas de PHA.

Desafios para os bioplásticos

De forma sobremaneira inesperada, Khoo e sua equipe descobriram que a energia consumida na produção das sacolas de PHA é 69% maior do que a energia gasta na fabricação das sacolas de polietileno.

Embora o cultivo de milho possa ajudar a compensar emissões de carbono através da fotossíntese, os pesquisadores descobriram que a fabricação das sacolas de bioplástico exige maior consumo de energia durante a produção em comparação com produção de sacolas de polietileno.

Eles concluem que os sacos de PHA somente podem ser considerados ambientalmente amigáveis se o processo de produção for feito utilizando energias renováveis.

Finalmente, os cientistas advertem que, antes que os biomateriais sejam considerados como alternativas sustentáveis aos plásticos convencionais, alguns desafios precisam ser superados: "A questão principal reside na redução da demanda de energia para a conversão da biomassa em [materiais com] propriedades semelhantes às dos plásticos," afirmaram.


Copiado do Site Inovação Tecnológica


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cidade ecológica em Portugal terá cérebro e sistema nervoso

Dependendo como ficar me mudo para lá!


Portugal deverá ter sua própria eco-cidade já em 2015.

E com um diferencial absolutamente futurístico: a cidade terá não apenas um cérebro eletrônico, mas também seu próprio sistema nervoso, capaz de "sentir" e controlar tudo, do uso da água ao consumo de energia.

Cidade ecológica

A cidade ecológica vai se chamar PlanIT Valley, e será construída nas cercanias de Paredes, no nordeste de Portugal. Ela deverá ser a primeira cidade ecológica a ficar pronta.

A eco-cidade de Masdar, que está sendo construída nos Emirados Árabes, já começou a receber seus primeiros habitantes, mas só deverá estar concluída por volta de 2020.

Já a versão de eco-cidade da China, Dongtan, próxima a Xangai, ainda não saiu do papel, e o projeto está enfrentando sérias dificuldades políticas e de orçamento.

Os portugueses pretendem que PlanIT Valley esteja totalmente pronta em 2015, graças a técnicas de construção pré-fabricada otimizada com uma tecnologia de projeto aeroespacial.

Metabolismo urbano

Como as outras eco-cidades, PlanIT Valley irá usar apenas energias renováveis, vai reciclar seu lixo, tratar seus esgotos e os telhados serão cobertos com plantas, que ajudarão a controlar a temperatura no interior dos edifícios e residências, absorver a água da chuva e assimilar poluentes.

Mas, a partir daí começam as diferenças. A cidade ecológica portuguesa terá uma rede de sensores, imitando um sistema nervoso, ligados a um computador central, que funcionará como um cérebro.

Segundo Steven Lewis, gerente do projeto, o sistema criará um "metabolismo urbano" inédito, permitindo o controle dos processos de reciclagem e tratamento de água e dejetos e de consumo energético.

Toda essa tecnologia já está disponível, mas é cara. Os criadores da eco-cidade contrabalançaram esse custo usando técnicas de construção mais baratas. "Como nós reduzimos o custo das construções, poderemos gastar um pouco mais em tecnologia," disse Lewis à revista New Scientist.

O projeto arquitetônico foi criado com os mesmos softwares utilizados no projeto de carros e aviões. Todos os prédios terão formato hexagonal, escolhido por permitir um melhor uso do espaço.

Cidade com cérebro

Todos os prédios serão pré-fabricados. É graças a isso que os criadores acreditam ser possível construir uma cidade inteira em apenas dois anos e a um custo relativamente baixo.

Sensores instalados em cada construção vão monitorar a ocupação - se tem alguém em casa -, a temperatura, umidade e consumo de energia. Essas informações vão alimentar um computador central - o cérebro eletrônico da cidade - juntamente com dados sobre a geração de energia de painéis solares e turbinas eólicas, o consumo de água e o lixo produzido.

O cérebro da cidade poderá então usar essas informações para controlar cada aspecto da vida urbana. Por exemplo, se os sensores mostrarem que o nível da caixa d'água de um edifício está baixo demais, ele poderá retirar água de outro prédio que esteja com um reservatório além de suas necessidades.

E serão muitos dados - algo como 5 petabytes por dia. Para lidar com eventuais problemas no cérebro central, cada casa será equipada com um poder computacional suficiente para fazê-la funcionar de forma autônoma.

O calor gerado pelo data-center da cidade será usado para aquecer outros prédios.

Reciclagem da água e do lixo

Haverá um cuidado especial com o reúso da água. Apenas 3% da água consumida em uma cidade é usada para consumo. Assim, por exemplo, a água usada nas cozinhas será filtrada e utilizada nos banheiros.

Uma série de lagos no parque central da cidade usará plantas para filtrar a água, tornando-a adequada para uso em banheiros e em irrigação.

O lixo orgânico produzido na cidade será usado para gerar eletricidade. Um biodigestor anaeróbico usará enzimas para estimular micróbios a digerirem o lixo, produzindo compostos químicos que poderão ser fermentados e destilados em biocombustíveis.

Esses biocombustíveis poderão alimentar os carros ou serem queimados para produzir eletricidade. O processo gera subprodutos, como aminoácidos e vitamina B12, que poderão ser vendidos para a indústria farmacêutica.

Os pais que morarem em PlanIt Valley também terão uma ajudinha extra para cuidar dos filhos. Um aplicativo, chamado "Ache meu Filho" permitirá que os pais localizem instantaneamente seus filhos, na rua ou dentro de um shopping center.

Copiado do site Inovação Tecnológica

Reservatórios de hidrelétricas são ambientalmente benignos, dizem cientistas

Uma boa notícia!

Um novo estudo feito por uma equipe internacional de cientistas pode ajudar a recuperar a imagem que tem sido atribuída nos últimos anos aos reservatórios das usinas hidrelétricas.

As suspeitas começaram a ser levantadas há cerca de 10 anos, quando medições feitas em uma hidrelétrica brasileira indicaram que as emissões de CO2 e metano - chamados pelos cientistas de "gases do clima" - dos organismos em decomposição no fundo dos reservatórios poderiam ser responsáveis por até um quarto de todas as emissões de origem humana no planeta.

Agora, demonstrando o risco de se basear em estudos individuais, os cientistas descobriram que os organismos na água e no chão do reservatório capturam mais CO2 da atmosfera do que o próprio reservatório libera na forma de gases de efeito estufa, já convertidos em equivalentes de CO2.

Conclusões errôneas

Os dados do Brasil foram publicados pela respeitada Comissão Mundial de Barragens. O relatório concluiu que os reservatórios das hidrelétricas de todo o mundo seriam responsáveis por entre 1 e 28 por cento das emissões dos gases climáticos do planeta.

O novo estudo foi feito por pesquisadores do instituto europeu SINTEF, com base em dados coletados no Laos em represas com 10 e com 30 anos de idade.

"Nossos resultados no Laos indicam que o número real é muito mais próximo de 1 do que de 28 por cento. As medições no Brasil não levaram em conta a absorção de CO2 pelo ecossistema do reservatório. Entretanto, os resultados atraíram muita atenção e foram usados para tirar conclusões errôneas em nível global," afirma Atle Harby, cientista sênior do programa de Pesquisas Energéticas do SINTEF.

O ecossistema decide

Os gases climáticos liberados por um reservatório de hidrelétrica se originam do carbono proveniente da decomposição de organismos e matérias orgânicas anteriores à inundação e daqueles trazidos pelos rios ou por fontes humanas.

No entanto, ao mesmo tempo, as algas, o fitoplâncton, o zooplâncton e os peixes que vivem no reservatório passam a absorver CO2 da atmosfera.

"Os níveis de emissões são maiores no início [da vida da represa], mas declinam quando os organismos enterrados estão totalmente decompostos. Nós investigamos também um reservatório de dez anos de idade, no Laos, onde havia um equilíbrio entre a absorção de gás e a liberação," diz Harby.

Ele explica que a vitalidade do ecossistema do reservatório e o volume de sedimentos não consolidados que enterram os organismos mortos determinam se o equilíbrio dos gases climáticos ficará positivo ou negativo ao longo da vida útil de cada reservatório.

"As rochas, o solo e a qualidade da água no reservatório de 30 anos de idade se combinaram para promover uma produção orgânica muito prolífica, a grande responsável pela absorção elevada de CO2 da atmosfera," disse Harby.

Copiado do site Inovação Tecnológica

domingo, 26 de dezembro de 2010

Matéria e antimatéria podem ser criadas do nada

Sob as condições adequadas - que incluem um feixe de laser de ultra-alta intensidade e um acelerador de partículas de dois quilômetros de extensão - pode ser possível criar algo do nada.

É o que garante Igor Sokolov e seus colegas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

O grupo desenvolveu novas equações que descrevem como um feixe de elétrons de alta energia, combinado com um intenso pulso de laser, pode rasgar o vácuo, liberando seus componentes fundamentais de matéria e antimatéria, e desencadear uma cascata de eventos que gera pares adicionais detectáveis de partículas e antipartículas.

Criar matéria do nada

Não é a primeira vez que cientistas afirmam que um super laser pode criar matéria do nada. De um nada que não é exatamente ausência de tudo, mas uma sopa fervilhante de ondas e campos de todos os tipos, onde partículas virtuais surgem e desaparecem o tempo todo.

Em 2008, um artigo publicado na revista Science descreveu como a matéria se origina de flutuações do vácuo quântico.

"Agora nós pudemos calcular como, a partir de um único elétron, podem ser produzidas várias centenas de partículas. Acreditamos que isso acontece na natureza, perto de pulsares e estrelas de nêutrons," afirma Igor Sokolov, um dos autores do estudo.

Foi um grupo de brasileiros que demonstrou recentemente que uma estrela de nêutrons pode acordar o vácuo quântico.

O que é o nada?

Na base de todos estes trabalhos está a idéia de que o vácuo quântico não é exatamente o nada.

"É melhor dizer, acompanhando o físico teórico Paul Dirac, que um vácuo, ou um nada, é a combinação de matéria e antimatéria - partículas e antipartículas. Sua densidade é tremenda, mas não podemos perceber nada delas porque seus efeitos observáveis anulam-se completamente," disse Sokolov.

Em condições normais, matéria e antimatéria destroem-se mutuamente assim que entram em contato uma com a outra, emitindo raios gama, que já se imaginou aproveitar para construir um laser de raios gama.

"Mas sob um forte campo eletromagnético, este aniquilamento, que tipicamente funciona como um ralo de escoamento, pode ser a fonte de novas partículas," explica John Nees, coautor do estudo. "No curso da aniquilação, surgem fótons gama, que podem produzir elétrons e pósitrons adicionais."

Um fóton gama é uma partícula de luz de alta energia. Um pósitron é um anti-elétron, uma partícula gêmea do elétron, com as mesmas propriedades, mas com carga positiva.

Reação em cadeia

Os que os cientistas calculam é que os fótons de raios gama produzirão uma reação em cadeia que poderá gerar partículas de matéria e antimatéria detectáveis.

Em um experimento, preveem eles, um campo de laser forte o suficiente irá gerar mais partículas do que as injetadas por meio de um acelerador de partículas.

No momento, não existe nenhum laboratório que tenha todas as condições necessárias - um super laser e um acelerador de partículas - para testar a teoria.

Mas, para Sokolov, o tema já é fascinante o suficiente do ponto de vista filosófico.

"A questão básica do que é o vácuo, o que não é o nada, vai além da ciência," afirma ele. "Ela está profundamente incorporada não apenas nos fundamentos da física teórica, mas também da nossa percepção filosófica de tudo - da realidade, da vida, e até mesmo da questão religiosa sobre se o mundo poderia ter vindo do nada."

Recentemente, físicos do LHC conseguiram capturar antimatéria pela primeira vez - veja também CERN dá mais um passo no estudo da antimatéria.

Bibliografia:

Pair Creation in QED-Strong Pulsed Laser Fields Interacting with Electron Beams
Igor Sokolov, Natalia Naumova, John Nees, Gérard Mourou
Physical Review Letters
December 2010
Vol.: 105 (19)
DOI: 10.1103/PhysRevLett.105.195005

Copiado do site Inovação Tecnológica

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Questão de Ética

Eu entendo perfeitamente a necessidade natural de se alimentar com carne, somos animais e temos este instinto.

É totalmente natural matarmos um animal para comer, mas há muito tempo vamos no supermercado e compramos o bicho que nasceu, viveu em péssimas condições e é morto de forma violenta, comemos a carne dele não mais para nos alimentar e sim por prazer, e isto não é natural.

Só não é natural, como é a pior coisa que o ser humano está fazendo para o planeta, o consumo de carne é o maior fator de impacto ambiental hoje em dia. E, obviamente é o fim do mundo para o bicho.

Com a tecnologia e conhecimento que temos hoje, não há mais a necessidade real de comer a carne, natural por natural, o ser humano faz muita coisa ruim e boa e que não é natural, tais como:

Tomar Coca-cola;

Voar;

Consumir alimentos e água cheios de produtos químicos;

andar de carro;

andar de bicicleta;

usar ar-condicionado;

usar computador;

trabalhar 8 ou mais horas por dia para encher os bolsos de algumas pessoas;

ter vários hábitos que são péssimos para a saúde;

tomar remédios;

fazer cirurgia, etc

A grande questão é a Ética, o ser humano se vangloria de ter ética, e diz que isso o diferencia do resto dos animais. Eu pergunto: onde está a ética de um ser que escraviza e se alimenta de outros seres vivos que são menos inteligentes?


F
ico pensando, em um futuro se a terra for visitada por seres com intelecto superior, tomara que eles tenham mais ética que nós, e não achem normal se alimentar da carne de seres vivos menos inteligentes, pois viraríamos churrasco.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Pessoas de Porto Alegre!

Assinem este projeto de lei para que o governo invista mais em transporte coletivo e em bicicletas como meio de transporte. Vamos transformar Porto Alegre num lugar mais agradável e mais seguro. Também ajudem a divulgar, coloquem no seu blog, mandem por e-mail para o seus contatos, no twitter. Se você tiver disposição, baixe aqui o arquivo e a descrição do projeto imprima e ajude a coletar assinaturas. Precisamos da ajuda de todos.

http://www.petitiononline.com/PITCEPH/petition.html

Nós, cidadãs e cidadãos abaixo-assinados, exigimos através deste a criação de uma Lei de Iniciativa Popular a fim de dar prioridade e estabelecer percentuais mínimos para os investimentos da Prefeitura Municipal de Porto Alegre em transporte público coletivo e infraestrutura para bicicletas.

Segundo a EPTC, 1 milhão de pessoas utilizam o transporte coletivo diariamente na capital gaúcha, mais 200 mil passageiros da região metropolitana e trinta mil viagens diárias de bicicleta. Porém a sensação que se tem ao tentar utilizar um destes tipos de transporte é que o município não investe proporcionalmente nestas formas de transporte.

Acreditamos que a tal medida ajudará a solucionar o caos no trânsito da cidade e tornar a cidade mais agradável, mais segura e menos poluída.

Projeto de Lei de Incentivo ao Transporte Público Coletivo e de Propulsão Humana

A Prefeitura Municipal de Porto Alegre fica obrigada a dedicar no mínimo 60% do seu orçamento destinado a transporte e obras viárias em obras que priorizem o transporte público coletivo e 7% em obras que priorizem a circulação de veículos de propulsão humana.

Art.1º – O volume de verbas aplicadas no transporte público coletivo deve ser igual ou superior à proporção do total de viagens deste em relação aos outros modais, não podendo ser inferior a 60% do total de investimentos em transporte e viação.
§ 1º – Não são consideradas nesta soma obras em vias compartilhadas com automóveis particulares.
§ 2º – O volume total de verbas aplicadas no transporte público coletivo só poderá ser inferior a 60% do orçamento dedicado a transporte e obras viárias se o total de investimentos em transportes de propulsão humana for superior a 20% e somente para se investir mais neste setor, neste caso o total de investimentos em obras que beneficiem automóveis particulares não poderá exceder 20%.

Art. 2° – O volume de verbas aplicadas em obras de infraestrutura e incentivo a transportes de propulsão humana deve ser igual ou superior à proporção do total de viagens deste em relação aos outros modais, não podendo nunca ser inferior a 7% do total de investimentos em transporte e viação.

Art. 3º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 4º – Revogam-se as disposições em contrário.


Copiado do Blog da Massa Crítica

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Energia

Estou copiando aqui um artigo que fala de algo extremamente importante, fiquei surpreso em saber os números. Como podemos desperdiçar tanto?

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 19 de novembro de 2010

É preciso prestar atenção ao estudo que acaba de ser divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (Estado, 11/11), segundo o qual a indústria brasileira pode economizar 25% da energia que consome, a começar pela indústria siderúrgica, seguida pelos setores de cerâmica, química, papel e celulose e cimento. É um trabalho na mesma direção do estudo feito em 2006 pela Unicamp, WWF e outras instituições, mostrando que o País pode viver tranquilamente com metade da energia que consome hoje: pode economizar 30% com conservação e eficiência energética (tal como fez no “apagão de 2001, sem nenhum prejuízo para o País); mais 10% com ganhos nas linhas de transmissão (que hoje perdem entre 15% e 17% da energia que transmitem); e mais 10% repotenciando geradores antigos de usinas, hoje com baixo rendimento, e a custos muitas vezes menores que o da construção de mais hidrelétricas.

Esse estudo está sendo revisto neste momento por um grupo no Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, coordenado pelo ex-ministro e ex-secretário José Goldemberg, que está preocupado com o processo de licenciamento de novas usinas na Amazônia, principalmente nas regiões dos Rios Teles Pires e Tapajós, que implicam problemas em terras indígenas, parques e áreas federais de conservação – sem falar no projeto de Belo Monte, que recebeu no próprio Ibama mais dois pareceres contrários ao início das obras.

Curiosamente, o planejamento federal no Brasil continua a trabalhar com a premissa de que o País, para crescer 7% ao ano nos próximos 12 anos, precisa dobrar seu consumo per capita de energia (Agência Brasil, 7/7). E para isso precisaria acrescentar mais 5,1 GW ao seu potencial energético a cada ano, até 2022. Planejamento provavelmente comandado pelo oligopólio das grandes construtoras de usinas, geradoras e distribuidoras de energia – levando em conta seus interesses específicos, não exatamente os de todo o País. Não por acaso, o governo federal inicia neste momento o leilão de mais dez hidrelétricas, com potência total de 3.820 MW, metade das quais nas bacias dos Rios Teles Pires e São Francisco e metade na do Parnaíba (Maranhão e Piauí). As hidrelétricas do Teles Pires serão altamente complicadas, por incluírem terras indígenas e parques nacionais, da mesma forma que as da bacia do Tapajós, que deverão vir logo a seguir.

Se ainda fosse pouco, o setor de energia está dando prioridade nos novos leilões a usinas termoelétricas, altamente poluidoras, sob o pretexto de poupar água nos reservatórios de hidrelétricas. Por essas e outras, o consumo médio de energia termoelétrica em setembro último chegou a 12,5 vezes mais que em setembro do ano passado (Folha de S.Paulo, 7/10). Tem mais: o governo federal dobrou o subsídio para uso de energia termoelétrica na Região Norte do País, que este ano vai para R$ 4 bilhões – distribuídos pelas contas de todos os consumidores no País, inclusive dos que eventualmente estejam lendo este artigo. Algo tão abstruso que o Tribunal de Contas da União já sentenciou que a Aneel não tem nenhum controle sobre o consumo real de combustível nas 301 termoelétricas da região (Folha de S.Paulo, 14/8) – enquanto destina a energia hidrelétrica de Tucuruí, muito mais barata, quase toda para os conglomerados de exportação de alumínio, com altíssimos subsídios (que também vão para a conta de todos os consumidores no País). Da mesma forma que provavelmente fará com a energia da vergonhosa Usina de Belo Monte. E por essas e outras a produção de energia termoelétrica passou de 5,6% do total em junho do ano passado para 7,8% em junho deste ano (idem, 7/7).

A iniciativa do estudo da Confederação Nacional da Indústria, por isso, é muito bem-vinda. Outro estudo, do IFC, que é órgão do Banco Mundial, mostrou há poucos dias que os edifícios comerciais e públicos no Brasil consomem 80% da energia total (reforçando a tese da possibilidade de redução enfatizada pela Unicamp/WWF). A economia de energia fica ainda mais decisiva se se atentar para números divulgados por este jornal (3/9): 54,8% da energia consumida no País não provém de fontes renováveis, só o petróleo e derivados respondem por 40% (hidrelétrica, 13,9%).

Também adquire importância excepcional iniciativa da Hidrelétrica de Itaipu de estimular e financiar a implantação de sistemas geradores de energia em pequenas propriedades rurais a partir do biogás derivado de dejetos animais (bois, porcos, frangos). Além de reduzirem seus gastos com o pagamento de energia da rede, principalmente nos horários de pico (quando ela é mais cara), os pequenos produtores podem colocar o excedente da produção de energia na rede estadual de distribuição e ser remunerados por isso. É um exemplo a ser seguido em todo o País.

A cada dia são mais alarmantes as notícias sobre desastres climáticos, intensificados pela emissão de gases que se concentram na atmosfera, bem como sobre a insustentabilidade dos atuais níveis de consumo de recursos no mundo. O relatório sobre “pegada de carbono” na China divulgado pelo WWF (Agência EFE, 16/11) diz que, se o mundo usasse recursos e gerasse resíduos como a China, “necessitaria de um planeta 1,2 vez maior que a Terra”. E nesse país “a construção e o transporte, associados ao avanço no nível de vida, contribuíram em grande medida para que as emissões de dióxido de carbono atingissem 54% do impacto ecológico nacional”. Já como a maior emissora de poluentes no mundo, a China compromete-se a reduzir sua “intensidade de carbono” (emissões totais divididas pelo PIB) entre 40% e 45% até 2020, calculada sobre 2005.

Lá, como em toda parte, o setor da energia é o maior responsável por emissões. Por isso o mundo terá de caminhar rapidamente para a redução do consumo de energia e para o uso de combustíveis renováveis e não poluentes. Não se deve perder tempo.

JORNALISTA

E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

Fonte: Ecologia Urbana

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Fé em Deus e pé na tábua!

O sociólogo Roberto DaMatta reflete sobre o perigo de se transitar nas ruas, avenidas e rodovias brasileiras nas páginas de "Fé em Deus e Pé na Tábua" (Rocco, 2010), escrito em parceria com João Gualberto Moreira Vasconcellos e Ricardo Pandolfi.

Foto: João Brito/FolhaPress

Para antropólogo, ruas foram dominadas por veículos e pedestres correm constante risco de morte ao transitar

Para os autores, há uma inversão dos valores democráticos no trânsito e quem domina a situação é a minoria motorizada em detrimento da maioria pedestre. Essa hierarquia invertida faz com que os motoristas se sintam empoderados e assumam comportamentos impensados, ditatoriais e desrespeitosos à lei.

"A minoria forte e protegida, explosivamente embrutecida por seus motores (e, muitas vezes, por seus revólveres e suas barras de ferro), torna-se opressora da maioria que, tentando seguir para o trabalho, para a escola ou simplesmente ir para casa, vê-se forçada a tentar sobreviver."

"Do mesmo modo que um governo tem o poder de nos massacrar com o que lhe der na telha (impostos, política externa voltada para confraternizar com ditadores, descaso pelas regras mais comezinhas do bom-senso), nós - dentro de um veículo - viramos nazifascistas. Nos transformamos em hierarcas superiores em um espaço marcado pela igualdade. Admoestamos e damos lições brutais aos que ousam desobedecer ou desafiar o fato estabelecido de a rua ser dos carros."

O volume analisa o motivo das pessoas se sobreporem com tanta facilidade às leis de trânsito e os fatores que levam os brasileiros atrás do volante a surtar violentamente.

Também é estudada a distribuição de automóveis, ônibus, motocicletas e bicicletas no espaço público e como eles se relacionam uns com os outros. Uma das principais ideias sustentadas é de que o carro funciona como uma extensão do corpo do próprio motorista.

Entre as soluções para o caos do asfalto, os cientistas sociais propõem novas formas de pensar a educação para o trânsito, que precisa levar em consideração a realidade caótica brasileira. Eles sugerem abordagens que podem mudar o comportamento dos motoristas ao longo do tempo.

Daqui: Bol Notícias
Crtl+C, Ctrl+V: Ciclogânico

sábado, 23 de outubro de 2010

Taxi!

Taxi!



Eu tenho estudado um mundo inteiramente novo… o Pedicab, O Velotaxi, o BicyTaxi… é uma miríade de nomes, que parece estar se espalhando pelo mundo todo.

Um lugar realmente informativo para se começar é a página da Fundação Internacional da Bicicleta em fabricantes de Pedicab no link ibike.org. Pedicabs não são muito comuns no Canada (mas nós encontramos em Turkey um que parece ter portas e janelas futurísticas que podem aumentar a possibilidade de uso por mais tempo, em países com inverno rigoroso).

Ser um motorista de pedicab é ter uma profissão atlética desafiadora; assistentes elétricos são comuns mas certamente não retira todos os desafios.

Mais sobre isso em Wikipedia.org/wiki/Cycle_rickshaw

Fonte: http://www.recumbentblog.com/2010/10/22/taxi/

A Tradução livre, meia boca é minha!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fim da Era do P etróleo

A continuidade da pesquisa e desenvolvimento no campo das energias alternativas poderá resultar em uma nova era na história humana, em que duas fontes de energia renovável - a energia solar e a energia eólica - vão se tornar as principais fontes de energia na Terra.

A opinião contundente não é de nenhum ambientalista de plantão, mas do Prêmio Nobel de Química de 1998, Walter Kohn.

Falando a uma plateia seleta na Sociedade Americana de Química, Kohn destacou que petróleo e gás natural abastecem hoje cerca de 60 por cento do consumo global de energia.

Para ele, essa tendência deverá crescer ainda por um período de 10 a 30 anos, seguindo-se um rápido declínio no consumo de combustíveis fósseis.

Desafios energéticos

"Essas tendências têm criado dois desafios sem precedentes em nível global," disse Kohn. "Um é a ameaça global de escassez de energia, o que é até aceitável. O outro é o perigo iminente, este inaceitável, do aquecimento global e suas consequências."

Kohn observou que estes desafios exigem uma ampla variedade de respostas. "A mais óbvia é a continuidade do progresso científico e tecnológico, criando fontes alternativas de energia que sejam abundantes, acessíveis, seguras, limpas e livres de carbono," disse ele.

Como os desafios são globais por natureza, o trabalho científico e tecnológico deverá ter um máximo de cooperação internacional, que felizmente está começando a evoluir, disse ele.

Era do Sol/Vento

Na última década, a produção mundial de energia fotovoltaica multiplicou-se por um fator de 90, e a energia eólica por um fator de cerca de 10.

Kohn espera a continuidade do crescimento vigoroso dessas duas energias efetivamente inesgotáveis durante a próxima década e além, levando assim a uma nova era, a "era do Sol/Vento", como ele chama, substituindo a era do petróleo.

Outra questão importante, segundo ele, que compete principalmente aos países desenvolvidos, cuja população praticamente se estabilizou, é a redução no consumo de energia per capita.

"Um exemplo marcante disso é o consumo per capita de gasolina nos Estados Unidos, cerca de 5 vezes superior à média global", disse ele. "O mundo menos desenvolvido, compreensivelmente, pretende trazer seu padrão de vida a um nível semelhante ao dos países altamente desenvolvidos; em contrapartida, eles devem estabilizar suas populações crescentes."

Fonte: Inovação tecnológica

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Reflexão Sobre o Dia Mundial Sem Carro

Segue abaixo uma mensagem enviada aos grupos Poabikers e Bike-RS pelo Felipe André Aço.

"Amigos(as),

Segue uma pequena reflexão sobre o dia de hoje.
Abraços,

22 de Setembro: Dia Mundial Sem Carro

Iniciado na França ainda na década de 90, o dia Mundial Sem Carro visa conscientizar as pessoas sobre a emissão de gás carbônico e o modelo de desenvolvimento baseado no automóvel. Hoje o Brasil tem algo próximo a 50 milhões de veículos; em alguns locais como a cidade de Caxias do Sul na serra Gaúcha existe um automóvel para cada duas pessoas o que, isentando-se as crianças e adolescentes que acredita-se não tenham carro, significa dizer que muitos tem mais de um automóvel, o que é de uma ilogicidade tremenda.
Em uma época em que se fala em sustentabilidade, o automóvel é, e sempre foi, o exemplo maior de desperdício energético. Uma pessoa como eu que tem por volta de 65 kg utiliza cerca de 1% da energia do automóvel para se locomover; os outros 99% é utilizado para mover o próprio automóvel. Se o Brasil como um todo tivesse um automóvel para cada duas pessoas estaríamos em colapso a muito tempo. Os Estados Unidos detém a maior frota de veículos do mundo, só não entrou em colapso ainda porque a matéria prima vem de países periféricos, não do seu próprio território.
A impressão que temos é que também estamos em colapso e estamos, principalmente em termos sociais. A frota de automóveis movidos a álcool e gasolina do país gasta 2,5 vezes a mais do que o transporte à diesel e transporta 12% da população. Isto é, 88% da população utiliza menos da metade da energia consumida por um pouco mais de 10% da população. Não sou um ativista lutando contra o automóvel inconsequentemente, até porque sei dos avanços e dos benefícios que o mesmo trouxe à civilização, mas tenho que me basear nos fatos e refletir sobre os mesmos. O automóvel é um câncer maligno que à título de regeneração está destruindo todas as outras células do nosso corpo terra.
Certa vez um cientista, falando a uma plateia de ávidos alunos propõe a seguinte questão: imaginem a criação de uma nova invenção que aumentará a eficiência e a mobilidade de todos tornando a vida mais fácil. O único lado negativo, alerta o cientista, é que para esta invenção funcionar, 50 mil pessoas inocentes terão que morrer a cada ano. O que fariam os políticos? Adotariam tal invenção?
Os alunos estavam prestes a dizer que tal proposição seria completamente rejeitada quando o professor argumentou: -"Esta invenção já existe e se chama automóvel!".
Pois é, o fato é que além dos prejuízos econômicos, sociais, psicológicos e ambientais o automóvel se converteu em uma das piores armas já inventadas. É uma guerra do Vietnã a cada ano. Desafio alguém dizer que não conhece ou não conheceu alguém que foi vítima do trânsito.
Vivemos em uma sociedade onde se mitificou e sacralizou o automóvel. Ele representa muito mais do que um simples e singelo instrumento de locomoção. É o status para o jovem, a vitrine para o profissional liberal o hobby para o executivo, vedete para madame, etc. Todos estes adjetivos são intercambiáveis. Não é de espantar, portanto, que boa parte da classe média brasileira invista mais em seu automóvel do que investe em sua casa ou mesmo na educação de seus filhos. O carro vale muito mais do que sua representação venal. Ele é um símbolo de status, poder, virilidade, maturidade e realização. Não é por acaso que as SUV's são recordistas em vendas (muito embora também o sejam em acidentes), pois tem uma significação de superioridade, autoridade e poder que vai além dos outros automóveis.
As pessoas não compram mais um automóvel, elas satisfazem um desejo. Desejo esse que não é autentico, mas é a representação de um ideal social: "Serei feliz se tiver este objeto!". É impressionante como a geração do consumo, que tem pouco mais de 50 anos, é refém da publicidade. Somos condicionados a amar determinado carro, pois este está associado com determinada beldade. Ou a comprar determinada cerveja, pois esta representa o brilho e a festa que eu mais desejo ou, por outra, apreciar determinado refrigerante, pois este apóia a minha liberdade e fantasia. Aliás, liberdade é o marketing principal para a utilização do automóvel: ter autonomia, poder ir e vir. Certamente os marketeiros não falam sobre a possibilidade de ir e vir em uma metrópole como São Paulo por exemplo.
As pessoas precisariam aprender que a felicidade não se acha nas coisas, mas talvez estejamos por demais imbricados no meio social para conseguirmos perceber isso. Passamos 2/3 de nossa vida lutando para adquirir coisas e outro terço tentando se curar da ganância e das conseqüentes doenças do stress adquiridas neste tempo de conquista. Entre a conquista e as doenças talvez consigamos sobreviver, mas jamais viver.
O Chefe Seattle em 1854 já anunciava que "todas as coisas estão ligadas" . Se hoje podemos caminhar na terra deve-se a uma complexa conjunção de fatores bioquímicos que possibilitaram que este planeta não fosse uma imensa bola de fogo. Da mesma forma, se hoje temos condições de se alimentar é porque existe um ser capaz de armazenar energia do sol. Reverenciem as abelhas, pois se não fossem elas, muito pouca diversidade de plantas teríamos na terra. Aplaudam os fitoplânctons, pois eles possibilitam a existência de oxigênio na atmosfera. O Chefe Seattle que talvez tenha sido o primeiro ecologista de fato, já anunciava no século XIX que "o que acontecer a terra, acontecerá aos filhos da terra!". O fato é que nós, seres racionais e humanos, continuamos a acreditar que somos o centro do universo e que, portanto, este deve nos servir.
É importante falarmos de energias renováveis, mas antes deveríamos falar em vidas renovadas. O problema da energia não é o da fonte, mas dos detritos. Enquanto acreditarmos que não temos nada a ver com os dejetos que nós mesmos produzimos, que não somos responsáveis por aquilo que descartamos, continuaremos utilizando o automóvel indiscriminadamente. A lógica ingênua de nossa civilização é a de acreditar que basta ter o meu quintal arrumado que tudo está bem. Se existe um ninho de ratazanas se desenvolvendo no quintal do vizinho isso não é da minha conta. Somos responsáveis não só por nossa própria vida, mas pela de nosso planeta.
Quanto vemos os ideólogos e políticos contemporâneos falarem sobre sustentabilidade e modo de vida, vemos grande pregações sobre novas vias rodoviárias, necessários estacionamentos verticais, novos túneis, etc. As autoridades referendam a premissa traiçoeira do desenvolvimento econômico a qualquer preço. Precisamos de desenvolvimento humano, mas nunca a qualquer preço: cidades mais HUMANAS em que as pessoas estejam em contato com a natureza e que as vias sejam espaços de prioridade para a vida, não para os carros. Já repararam como é tratado o pedestre e o ciclista nas ruas? Não! Definitivamente as estradas não são para as pessoas. Certamente alguns poucos audazes e corajosos arriscam-se pedalando pelas cidades, não são muitos, mas certamente não estão sós.
Refletir sobre uma sociedade sem carro possibilita pensar em uma vida em harmonia com o universo. Somos parte e ao mesmo tempo o todo do nosso planeta. Talvez, por isso, devêssemos pensar qual a nossa responsabilidade. Será através do gesto, da mudança de hábito, da divulgação de um estilo de vida mais saudável? Bom, de qualquer forma vou tirar a minha bicicleta da garagem.

Felipe André Aço"

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Site TSE para pesquisar candidatos - eleições 2010

Achei muito interessante, é possível ver a declaração de bens dos candidatos. Fiquei surpreso com o Vice da Marina que tem mais de 1 Bilhão, e também com vários candidatos de partidos socialistas e comunistas com bastante dinheiro.
Bem, ter bastante dinheiro não é crime, a pessoa não é o que possui, mas com esta declaração de bens dá para se ter uma ideia um pouco melhor de quem é o candidato.

Para acessar entre no link:

http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/jsp/index.jsp

domingo, 19 de setembro de 2010

Aquecimento global só será revertido com novas tecnologias, dizem cientistas

Redução do aquecimento global

As tecnologias atuais de geração de energia não são suficientes para reduzir as emissões de carbono aos níveis considerados necessários para evitar os riscos ao planeta promovidos pelo aquecimento global.

A afirmação é de um artigo publicado por cientistas dos Estados Unidos e do Canadá na edição desta sexta-feira da revista Science.

Estima-se que, para evitar os riscos das mudanças climáticas globais, seria preciso evitar que a temperatura média do mundo chegasse a 2º C acima dos níveis anteriores à Revolução Industrial.

Modelos climáticos atuais indicam que, para atingir esse objetivo, será preciso limitar as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera em menos de 450 partes por milhão (ppm).

O problema é que permanecer abaixo desse nível implica diminuir substancialmente as emissões de combustíveis fósseis, algo que os países industrializados não estão conseguindo fazer. O nível atual é de aproximadamente 385 pp. Antes da Revolução Industrial, estava abaixo de 280 ppm.

Paralisação do crescimento

Steven Davis e seus colegas da Instituição Carnegie, nos Estados Unidos, avaliaram o que ocorreria com o planeta se nenhum outro dispositivo emissor de CO2 fosse fabricado.

Nessa situação hipotética, sem uma única fábrica ou automóvel novo, a infraestrutura energética atual do mundo emitiria cerca de 496 bilhões de toneladas de CO2 nos próximos 50 anos.

Isso seria suficiente para estabilizar os níveis do gás na atmosfera em 430 ppm e deixaria a temperatura média em 1,3º C acima dos níveis pré-industriais.

Os riscos do aquecimento global teriam sido vencidos, mas, segundo os cientistas, o cenário hipotético ilustra bem a situação atual vivida pelo planeta. Somente de veículos automotivos, o mundo ganha a cada dia não um, mas cerca de 170 mil novos - isso segundo dados da International Organization of Motor Vehicle Manufacturers de 2009, que representaram, em meio à crise econômica mundial, queda de 13,5% em relação à produção do ano anterior.

"Até agora, os esforços feitos para diminuir as emissões por meio de regulações e de acordos internacionais não funcionaram. As emissões estão aumentando mais do que nunca e os programas para desenvolver fontes de energia 'neutras em carbono' estão, nos melhores casos, ainda muito incipientes", disse Martin Hoffert, professor emérito do Departamento de Física da Universidade de Nova York, em artigo comentando o estudo de Davis e colegas na mesma edição da Science.

O problema do carvão

Mas a pior notícia é que a situação tende a se agravar ainda mais. Segundo os pesquisadores, as fontes das emissões mais ameaçadoras ao planeta ainda não foram construídas. Isso porque o mundo e suas economias simplesmente continuarão a crescer. Um exemplo é o carvão.

"À medida que o pico na produção de petróleo e de gás natural se aproxima, a produção de carvão aumenta, com novas usinas movidas a carvão sendo construídas na China, Índia e nos Estados Unidos", disse Hoffert.

"Investimentos maciços serão cruciais para permitir que a pesquisa básica encontre e desenvolva tecnologias possíveis de serem aplicadas comercialmente e em massa. Mas a introdução de tecnologias neutras em carbono também exige, no mínimo, que sejam revertidos incentivos perversos, como os atualmente existentes para subsidiar a produção de combustíveis fósseis e que se estima serem 12 vezes maiores do que os aplicados para a energia renovável", afirmou.

Ctrl+C, Ctrl+V: InovaçãoTecnológica

Comercial De Jornada nas Estrelas na Alemanha

Cidades verticais, civilização rural?

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 17 de setembro de 2010

Na época em que morou no Rio de Janeiro, de meados da década de 1960 ao início da de 1980, o autor destas linhas se assustava com a rapidíssima verticalização da até ali amena “Cidade Maravilhosa”, a partir da derrubada do gabarito de quatro pavimentos nas praias de Ipanema e do Leblon, seguida pelo início da ocupação intensa de São Conrado e da Barra da Tijuca, até então lugares quase só de piqueniques e praias prolongadas dos poucos donos de automóveis. Dizia, por isso, em tom de blague, que chegaria o dia em que derrubariam o Pão de Açúcar para, com o material de demolição, aterrar a Lagoa Rodrigo de Freitas e, nela e nos vizinhos Jockey Club e Jardim Botânico, erguer imensos edifícios. Passados 30 anos, a lagoa não foi aterrada, mas, assoreada por esgotos e outros materiais, já provoca enchentes nas chuvas mais fortes; discute-se se uma parte do Jardim Botânico deve ou não ser atribuída a moradores; e, agora (Estado, 10/9), informa-se que o Jockey Club do Rio já negocia 20% de sua área para construção de edifícios de escritórios, um centro comercial e um centro médico.

Será esse um destino inescapável das cidades brasileiras? Há uns dois meses (Estado, 17/6), o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo (Condephaat) decidiu tombar a área ocupada pelo Jockey Club de São Paulo, que também pretendia ceder cerca de 100 mil metros quadrados para a construção de torres comerciais e um shopping center – seguindo uma tendência de verticalização ainda mais forte que a do Rio. Um mapa da verticalização de São Paulo (Cia. de Imprensa, 25/8) mostra que entre 1990 e 2000, segundo dados do IBGE, os bairros do Jabaquara, Moema, Pinheiros e Ibirapuera registraram mais de oito domicílios novos por metro quadrado de solo.

Há outros bairros com tendência semelhante, ainda mais lembrando que o mesmo IBGE prevê que São Paulo terá mais 600 mil habitantes em dez anos. No Rio, o Tribunal de Contas do Município mostra (O Globo, 27/6), preocupado, que a expansão urbana levou à ocupação de áreas de preservação ambiental por 65 favelas (eram 17 em 2003).

Qual será o caminho adequado? O adensamento de áreas já edificadas, para impedir que novas ocupações nas periferias exijam do poder público altos investimentos (sem recursos disponíveis) na instalação de todas as infraestruturas urbanas (viária, de energia, saneamento, educação, saúde, segurança, transporte, lazer, etc.)? Mas esses adensamentos também não geram problemas indesejáveis (congestionamentos, poluição, insegurança, etc.)? Será o IPTU progressivo para áreas não edificadas e imóveis ociosos (420 mil na capital) uma solução? Não vamos chegando a um tempo em que até a ocupação de áreas por cemitérios se torna problemática, como em São Paulo, com geração de necrochorume e contaminação do solo e da água em 40 deles (Estado, 24/5)? Problemas como os de São Paulo não se repetem da mesma forma em toda uma rota de cidades “médias” que chegam ao Triângulo Mineiro?

Ao que parece, chega-se a um momento em que a questão terá de ser repensada de forma muito ampla. Vários estudos nos últimos anos têm mostrado o agravamento do problema na mesma proporção em que se acentua a urbanização no mundo. Já chegamos a mais de 50% da população global vivendo em áreas urbanas – o que amplia muito certas necessidades, como as de transporte, energia, habitação, alimentação industrializada, etc. A China, em poucas décadas, urbanizou mais de 300 milhões de pessoas e multiplicou suas necessidades de energia (e as emissões poluentes, pelo uso intensivo do carvão). Ainda vai urbanizar mais 100 milhões. A Índia, quando se discutem mudanças climáticas, tenta demonstrar sua impossibilidade de renunciar ao carvão mineral como fonte energética, já que 400 milhões de indianos ainda não dispõem de energia elétrica.

Só que o caminho da urbanização progressiva, que é parte do modelo industrial/civilizacional que vivemos, já se mostra inviável. Estudo recente publicado na revista Science por Steven Davis e vários outros cientistas dos EUA e do Canadá (Agência Fapesp, 10/9) mostra que as atuais tecnologias disponíveis são insuficientes para manter a concentração de dióxido de carbono na atmosfera em nível (até 450 partes por milhão) que não permita a temperatura do planeta subir mais que dois graus Celsius. Só com as estruturas atuais, sem um só automóvel novo ou novas fábricas, a emissão de dióxido de carbono adicionará em 50 anos mais 496 bilhões de toneladas à atmosfera. E com isso a temperatura se elevará em mais 1,3 grau (já subiu 0,6). Se a concentração de poluentes na atmosfera, hoje em 385 partes por milhão, continuar subindo e ultrapassar 450 partes por milhão, a temperatura poderá subir além de 2 graus, com consequências gravíssimas.

Mas continuamos a urbanizar. A colocar no mundo 170 mil automóveis novos por dia. E essa e outras fontes poluidoras, principalmente combustíveis fósseis, seguem, segundo a Agência Internacional de Energia, recebendo US$ 557 bilhões anuais em subsídios de governos, enquanto as energias “limpas” e renováveis recebem US$ 46 bilhões. Para onde irá o chamado padrão civilizatório?

O professor Ignacy Sachs, mestre de Altos Estudos em Ciências Sociais em Paris, defende, na revista Estudos Avançados, da USP, um modelo que se assente no tripé biodiversidade-biomassas-biotecnologias, que permita a países tropicais como o Brasil “um novo ciclo de desenvolvimento rural”, que configure “civilizações modernas do vegetal, movidas a energia solar captada pela fotossíntese”. Seria um modelo capaz de manter populações na zona rural, com renda e dignidade; produzir bioenergias, adubos verdes, materiais de construção, matérias-primas industriais, insumos para química verde, farmacopeia e cosméticos. É um tema que precisa ir com urgência para nossa pauta política.

JORNALISTA E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

Ctrl+C,Ctrl+V: Ecologia Urbana

Filtro verde para a poluição

Uma floresta numa grande cidade como São Paulo pode ser muito mais que uma boa opção lazer. Estudo no Parque do Ibirapuera mostra que a vegetação é capaz de reter poluentes do ar e servir como ‘biomonitor’ de baixo custo.

Debora Antunes, Ciencia Hoje On-line, 24 de agosto de 2010

Se tem sido difícil respirar ar puro em São Paulo, é possível que essa dificuldade fosse ainda maior se não houvesse o Parque do Ibirapuera, uma área verde de 157 mil metros quadrados na região central da cidade. Um estudo mostra que a capacidade da vegetação de absorver e reter poluentes do ar atmosférico faz do local um grande aliado dos paulistanos.

Para comprovar a contribuição positiva da natureza para São Paulo e mostrar que florestas urbanas podem ser usadas para descontaminação atmosférica, a engenheira agrônoma Tiana Carla Lopes Moreira foi a campo pesquisar o assunto, que virou tema de sua dissertação de mestrado.

“A compreensão de como a floresta urbana interage com a poluição atmosférica é importante não apenas para o planejamento urbano, mas para a saúde pública”, explica a pesquisadora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.

Entre fevereiro e março de 2009, ela coletou amostras de folhas de vários tipos de árvores do parque – como paineiras, jacarandá mimoso e ipê roxo.

A partir da análise do material, ela constatou a concentração de elementos associados à poluição, que teriam sido absorvidos pela vegetação. As folhas coletadas tinham o mesmo tempo de exposição aos poluentes.

Com ajuda de um equipamento que quantifica os elementos químicos presentes em uma amostra, foi observada uma grande quantidade de substâncias associadas à poluição, como chumbo, zinco, cádmio e cobre. “O zinco, por exemplo, é um micronutriente das plantas, mas em quantidade excessiva pode indicar sinais de poluição no ar”, explica Moreira.

Sem surpresas
Os maiores responsáveis pela poluição na cidade não surpreendem: os veículos. Com uma frota de quase sete milhões de carros, motocicletas e caminhões (segundo dados de julho de 2010 do Detran-SP), a cidade vê não só o trânsito piorar, como também a saúde dos que a habitam.

A análise indicou alta concentração dos elementos associados à poluição em áreas próximas às lombadas eletrônica – o parque também permite acesso de veículos. Esse seria um sinal de que o desgaste de peças do sistema de frenagem contribuiria para a contaminação do ar. As velas de ignição e o desgaste dos pneus também teriam sua parcela de culpa, causando a liberação de bário e cádmio, respectivamente, no ambiente.

A conclusão do estudo é que florestas como a do Ibirapuera poderiam melhorar a qualidade do ar, além de reduzir a temperatura do ambiente e aumentar a umidade. “A vegetação funciona como um filtro, que ajuda a reduzir a poluição. A pouca densidade dessa vegetação não soluciona o problema, mas pode amenizá-lo”, explica.

Investir em áreas verdes poderia ser uma medida eficaz não só para São Paulo, mas também para outras cidades que sofrem com a poluição, aponta Moreira – ressaltando ainda o baixo custo da proposta.

Para os que criticam a ideia com o argumento de que há pouco espaço físico na cidade para árvores, a engenheira tem uma resposta. “Se as calçadas são estreitas e não comportam árvores de grande porte, uma vegetação rasteira pode ajudar na absorção de poluentes.”
De modo geral, as espécies analisadas não apresentaram sinais de doenças por causa dessa absorção. Uma hipótese é que as plantas tenham adquirido resistência a esses elementos, que, em pequenas quantidades, funcionariam como micronutrientes.

Mas a pesquisadora conta que existem estudos em lugares como Cubatão que mostram o declínio de florestas devido à poluição. “Uma pesquisa mais longa no Ibirapuera poderia identificar, por exemplo, se as árvores crescem menos, possuem menos folhas ou sofrem mudanças em sua fisiologia”, diz a pesquisadora.

Moreira espera que os resultados da pesquisa despertem a atenção não só de autoridades para a poluição, mas também dos próprios moradores da cidade. “Não basta investir em mais áreas verdes. É preciso ter consciência de que também somos responsáveis por essa poluição”, conclui.

Debora Antunes, Ciência Hoje On-line

Ctrl+C,Ctrl+V: Ecologia Urbana

Bicicletas de Carga

Muito legal este vídeo que meu amigo Helton encontrou na internet e me passou para eu espalhar!!! Valeu Helton

Ah...pela primeira vez em um vídeo que fala sobre bicicletas na Europa, eu vi uma reclinada, acho que é uma m5 igual a do Artur.

Link com ovídeo em melhor qualidade no Vimeo

ou veja aqui mesmo:


video

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Fechando saquinhos com tampa de PET

Recebi por e-mail, da querida amiga Leila Gonçalves, uma dica de como utilizar tampas de garrafa PET para fechar saquinhos, podendo se substituir o prendedor.

É só cortar logo abaixo do gargalo.

Passar o saco por dentro do gargalo, dobrar uma parte por fora, e fechar a tampa.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dia Mundial Sem Carro

Gostei muito deste texto que li no site BioCicleta, e resolvi publicá-lo aqui também para divulgar ainda mais a ideia.

Dia sem carro?
Por Isah Andreoni

Dia sem carro?

No dia 22 de setembro celebra-se o “Dia mundial sem carro.” Ciclistas, pedestres, patinadores, skatistas, e toda uma legião de homens e mulheres, garotos e garotas, são esperados para a ocupação de ruas que, por direito, deveriam ser suas permanentemente, mas que lhes são concedidas, e de uma forma muito precária, apenas durante umas poucas horas desse único dia, marcado no calendário dos espíritos livres.

E não é pouco o que esse dia representa, quanto à reivindicação de uma outra ocupação do espaço urbano, uma outra forma de relação do homem com o ambiente, e consigo, menos predatória e mais prazerosa.

Entretanto, o que, nós que pedalamos – com maior ou menor frequência, não importa - devemos nos perguntar é até que ponto sairmos pras ruas uma vez ao ano, com o propósito explícito de nos fazermos presentes, de deixarmos nossa mensagem, e darmos nosso recado, nos aproxima da realização mínima daquilo que deveríamos reivindicar?

Mostrar que, sim, existimos, em meio à monstruosidade de caminhões, ônibus, automóveis, dentro e por trás de uma espessa cortina de fumaça, é algo importante; mas a pergunta que sempre me faço, cada vez que o final de setembro se aproxima é: até quando? Até quando vamos concordar com uma forma de trânsito, e de ocupação do espaço, que converteu nossas ruas em verdadeiros ringues, para uma modalidade de luta em que, apesar das regras, vale tudo?

Não tem jeito, queiramos ou não, estamos de acordo com a cidade que está aí, o trânsito que está aí, o consumo... pois seja em nossas bikes, ou – o que é pior – dirigindo nossas bolhas de lata, essas naves canibais, somos parte de uma só e mesma cidade, de um só trânsito, de uma mesma lógica de ocupação do espaço e de relação com o tempo, com os outros humanos e seres vivos, conosco, com o ambiente, enfim, com tudo.

Se o discurso já virou ladainha; se já não aguentamos mais ligar a T.V. e, lá vem mais uma reportagem sobre crise ambiental, aquecimento global, efeito estufa, fontes alternativas de energia, e por aí afora; se todos esses termos, e outros como nova consciência, sustentabilidade, ecologia e ambientalismo tornaram-se parte de nosso vocabulário cotidiano; por que não fazemos nada, além de, pela milésima vez, confirmar uma constatação? Já não temos mais desculpa, pois informação não nos falta.

Botar nossas bikes pra girar, sairmos pra rua é, sem dúvida, o primeiro passo, aliás, muito importante. Afinal, nossa memória anda esquecida, e é preciso lembrá-la de coisas que hoje soam impossíveis, mas que um dia foram, e serão, o mais natural.

As transformações que essa civilização – e a sociedade do automóvel – ocasionaram trouxeram, sim, muitos avanços; responderam a alguns de nossos desejos, criaram e alimentaram nossos sonhos; mas vivemos agora uma espécie de epílogo, e é preciso reconhecer, superar e deixar para trás tudo aquilo que essa mesma sociedade nos legou de engano, prejuízo, desequilíbrio, destruição.

Para isso, não bastam novas tecnologias; o discurso dos biocombustíveis também é muito pouco; novas frotas de ônibus para tornarem a já difícil batalha com os carros ainda mais acirrada, não sei; da constante reengenharia urbana, então, nem se fala: rodízios, planejamentos, pontes, viadutos, pistas e mais pistas, túneis... já tentamos de tudo. Agora é o momento de reconhecermos nossos limites dentro dessa lógica; reconhecermos e assumirmos os limites desse modelo de sociedade, com suas práticas diárias, com seu padrão de consumo e desperdício, com sua geração de lucros e resíduos, impossíveis de serem reintegrados minimamente nessa outra lógica da qual nos afastamos, bem mais equilibrada e ampla, e cíclica, que é a da natureza.

Gostaria muito que aqueles que forem sair para as ruas, não importa se deslizando em seus rollers ou sk8s, caminhando ou pedalando, em cadeiras de rodas, monociclos, pernas de pau, ou plantando bananeira; gostaria que toda essa legião de mulheres e homens, todos crianças e jovens, não importa a idade, sintonizados que estamos com esse futuro tão presente; gostaria que, ao sairmos, não só nesse dia sem carro, mas a todo momento, nessa luta diária, desleal, e mortífera, que travamos diariamente para ocupar um espaço que naturalmente, e legalmente, já é nosso; que trouxéssemos isso tudo em nossas mentes, em nossos corações, nos nossos corpos: o desejo vivo de uma transformação real; e não apenas medidas paliativas para estenderem, sabe-se lá por mais quanto tempo, a vida inútil de um modelo de sociedade, com seu culto ao automóvel, que tem se mostrado tão predatório e suicida.

Queremos celebrar, sim, o que já conquistamos, que é essa sintonia com o futuro presente; essa percepção do que queremos, e do que não queremos; essa leveza de corpo e de espírito de quem se desloca com sua própria vontade, e não deixa como lembrança uma nuvem de fumaça. É com alegria que vamos pras ruas, sem dúvida. Mas é também com a firmeza de quem está de saco cheio – com o perdão da palavra – de assistir a essa guerra sangrenta, a essa batalha psíquica, esse enfrentamento, todos os dias, ao vivo, no lugar onde vive, e de saber, pelas notícias que chegam, cada vez com maior velocidade, que a mesma guerra acontece em outras cidades.

Nosso trânsito diário converteu nossa vida urbana, o espaço público, numa guerra permanente. Será que algum dia o Dia mundial sem carro de fato assumirá o papel de simbolizar todo nosso descontentamento, indignação, desejo de mudança?

Não sei... Enquanto isso, cadê o menino que vinha sorrindo, em sua prancha mágica, flutuando no asfalto, e de repente adentrou esse túnel sem onda, nem poesia, pra nunca mais sair do outro lado?

Isah Andreoni

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Elétrons são flagrados com massa negativa

Físicos do Instituto Max Born, em Berlim, descobriram que elétrons no interior de cristais semicondutores têm uma massa inercial negativa quando são fortemente acelerados em um campo elétrico.

Força e aceleração

No século 17, Isaac Newton descobriu que uma força faz com que um corpo acelere. A massa inercial do corpo é determinada pela relação entre força e aceleração - assim, dada uma mesma força, um corpo mais leve é acelerado mais fortemente do que um corpo pesado.

Assim, partículas elementares, como os elétrons livres, que têm uma massa de apenas 10 elevado a -30 - ou 0, ... (29 zeros)... 1 kg - podem ser acelerados em campos elétricos a velocidades extremamente altas.

Se o campo elétrico for pequeno, o movimento dos elétrons no interior de cristais é regido pelas mesmas leis. Neste regime, a massa de um elétron no cristal é apenas uma pequena parte da massa de um elétron livre.

Elétron com massa negativa

O que pesquisadores agora demonstraram é que os elétrons nos cristais, quando submetidos a campos elétricos extremamente elevados, apresentam um comportamento completamente diferente.

Segundo os experimentos, a massa dos elétrons se torna até mesmo negativa!

Para obter esse resultado, eles aceleraram os elétrons até uma velocidade de 4 milhões de quilômetros por hora em um período e tempo extremamente curto de 100 femtossegundos = 0,000 000 000 000 1 segundo.

Como a massa de um corpo é positiva, a aceleração deve se dar sempre no mesmo sentido da força aplicada sobre ele.

Contudo, logo depois de ser acelerado, o elétron pára e então, inesperadamente, move-se para trás.

Isto significa que a aceleração está no sentido oposto à força, o que só pode ser explicado, segundo os físicos, por uma massa inercial negativa do elétron.

Clock de terahertz

Apesar de estranhos, os resultados estão de acordo com os cálculos feitos pelo Prêmio Nobel de Física Felix Bloch, mais de 80 anos atrás.

Segundo os físicos, a verificação experimental do fenômeno abre caminho para um novo regime de transporte de cargas elétricas, com grande impacto nos futuros dispositivos microeletrônicos.

As frequências observadas estão na faixa dos terahertz (1 THz = 1000 GHz = 10 elevado à potência 12 Hz), cerca de 1000 vezes superior à taxa de clock dos computadores mais modernos.

Fonte: Inovação Tecnológica


Isaac Asimov prevendo o impacto da Internet (português)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

UFO

Produção brasileira!
Fonte: http://mais.uol.com.br/view/d52rltzih2do/ufo-04021A3466E4A143C6?types=A

O Despotismo de Guerra nas Estrelas e o Populismo de Jornada nas Estrelas

David Brin

A mitologia futurista elaborada por George Lucas está difundindo uma visão elitista e antidemocrática sob o disfarce de diversão escapista, em tudo diferente do universo em que navega a espaçonave Enterprise.



Este artigo é de autoria do físico e escritor David Brin, autor de O Carteiro (The Postman), Maré Alta Estelar (Startide Rising), A Guerra da Elevação (Uplift War), Fundação – O Triunfo (Foundation’s Triumph) e outros clássicos da Ficção Científica. Foi escrito em 1999, por ocasião do lançamento do Episódio I de Guerra nas Estrelas. A versão em português foi publicada originalmente na Folha de São Paulo, de domingo, 4 de julho de 1999, caderno Mais!, páginas 8 e 9 e também pode ser lida no Centro de Mídia Independente, desde fevereiro de 2004.


“É provável que não exista nenhuma forma de governo que seja melhor do que o despotismo benévolo.”

George Lucas, a The New York Times (março de 1999)

Eu, pessoalmente, boicotei Guerra nas Estrelas – Episódio I – A Ameaça Fantasma durante uma semana inteira.

Por quê? O que existe no filme que mereça ser boicotado? Afinal, Guerra nas Estrelas (Star Wars) não é apenas uma obra de ficção científica divertida? Algumas pessoas a definem como “doce para os olhos” – uma chance de voltar à infância e passar duas horas longe das preocupações normais da idade adulta, vivendo num universo onde a distinção entre o bem e o mal é traçada de maneira inequívoca, sem todas as distinções inconvenientes que pontilham a vida diária das pessoas.

Você está com um problema? Sem problemas! É só cortá-lo ao meio com um sabre de luz. Você não adoraria, pelo menos uma vez na vida, poder penetrar na maior fortaleza de seu pior inimigo numa nave veloz e desencadear uma reação em cadeia, explodindo a estrutura inteira desde seu podre interior, enquanto você mesmo foge, em segurança, à velocidade da luz? A idéia é tão sedutora que se repete em três dos quatro filmes da série Guerra nas Estrelas.

Ganho a vida razoavelmente bem escrevendo livros e roteiros de filmes de ficção científica. Logo, Guerra nas Estrelas deveria ser um prato cheio para mim, certo?

Um dos problemas do chamado entretenimento descomprometido de hoje é que de algum modo, em meio a todos os efeitos especiais espetaculares, as pessoas tendem a perder de vista coisas simples como trama e sentido. Elas deixam de tomar nota das lições morais que o diretor está tentando transmitir. Mas essas coisas são importantes.

Já está bastante claro que George Lucas tem uma pauta de prioridades ideológicas que defende e que a leva muito a sério. Depois de quatro [atualmente cinco] filmes da série Guerra nas Estrelas, esse é um fato que já deveria ter sido percebido, mesmo por quem não vai ao cinema com o intuito de identificar a moral dos filmes. Quando a principal característica que distingue o “bem” do “mal” é até que ponto cada personagem é ou não bonitinho, existe um indicativo de que talvez valha a pena reavaliarmos a saga inteira.

Exatamente que produto nos está sendo vendido entre um take e outro?

1) As elites têm o direito inerente de governar de maneira arbitrária. Os cidadãos comuns não precisam ser consultados. Podem escolher apenas a elite que vão seguir.

2) As elites “boas” devem agir com base em seus caprichos subjetivos, independentemente de provas, argumentos ou responsabilidades.

3) Qualquer pecado pode ser perdoado se quem o cometeu for suficientemente importante.

4) Os verdadeiros líderes já nascem líderes. É uma coisa genética. O direito de governar é herdado.

5) Emoções humanas justificadas podem fazer uma pessoa boa virar má.

Esse é apenas o começo da longa lista de lições “morais” que são promovidas incansavelmente por Guerra nas Estrelas. São lições que diferenciam completamente essa saga de outras que, à primeira vista, podem dar a impressão de lhe serem semelhantes, como Jornada nas Estrelas.

Nunca gostei, sobretudo, de toda a coisa nietzschiana do Übermensch (Super-homem): a idéia (subjacente a muitos mitos e lendas) de que uma história, para ser boa, precisa ter como sujeito semideuses que são muito maiores, piores e melhores do que os comuns mortais. Trata-se de uma tradição de narrativas que vem da Antiguidade, e que acho odiosa na obra de A. E. Van Vogt, E. E. Smith, L. Ron Hubbard e qualquer outro autor no qual se vêem superseres decidindo o destino de bilhões de pessoas sem nunca parar para levar em conta quais seriam as vontades delas.

Você dirá: “Uau! Se seu ponto de vista com relação a esse assunto é tão contundente, por que fazer um boicote com duração já prevista de apenas uma semana? Para que assistir ao último filme Guerra nas Estrelas?”. Porque sou forçado a reconhecer que histórias sobre semideuses encontram eco profundo no coração humano.

Antes de passarmos para coisas divertidas, tenha um pouco de paciência comigo – quero falar a sério um pouquinho.

Em O Herói de Mil Faces, Joseph Campbell mostrou como praticamente toda cultura antiga e pré-moderna utilizava uma técnica ritmada própria para contar histórias, retratando os protagonistas e antagonistas com certas motivações e traços de personalidade constantes, num padrão que transcende as fronteiras de língua e cultura.

Nessas narrativas clássicas o herói começa relutante, mas há augúrios e sinais que antevêem sua grandeza predestinada. Ele recebe conselhos sábios de um mentor, ganha companheiros inesperados, porém leais, enfrenta uma série de crises cada vez mais críticas, explora o poço de seus próprios medos e emerge vitorioso, levando a vitória ou o talismã de volta a sua tribo, seu povo ou sua nação, que o admira profundamente.

Ao lançar luz sobre essa tradição venerada dos contadores de histórias, Campbell de fato trouxe à tona alguns traços espirituais que parecem ser comuns a todos os humanos. E sou o primeiro a admitir que é uma fórmula fantástica.

Campbell, infelizmente, destacou apenas qualidades positivas, ignorando por completo um lado muito mais sombrio – como, por exemplo, esse modelo padronizado de fábula acabou sendo cooptado por reis, sacerdotes e tiranos que o utilizaram para tecer loas à importância suprema das elites que se erguem acima dos homens e das mulheres comuns. Ou, então, a idéia implícita de que devemos sempre nos restringir a traçar variações sobre uma única história, um único tema, repetindo à exaustão a mesma trama previamente prescrita.

Aqueles que elogiam Joseph Campbell parecem enxergar nessa uniformidade um motivo para nos alegrarmos. Mas ela não o é. Na medida em que desempenham um papel importante no trágico atolamento de nosso espírito, os mitos dos semideuses ajudaram a reforçar a mesmice e a imutabilidade durante milênios, imobilizando as pessoas de quase todas as culturas, desde Gilgamesh até os heróis das histórias em quadrinhos.

É essencial compreender o afastamento radical desse padrão que é dado pela ficção científica genuína, que tem suas origens numa tradição literária diametralmente oposta à primeira, formando um novo tipo de narrativa que muitas vezes se rebela contra os arquétipos que Campbell venerava. Trata-se da crença rebelde no progresso, no igualitarismo e na possibilidade de existirem histórias em que todos saiam ganhando – e também na possibilidade, pequena, porém real, de existirem instituições humanas decentes, sem falar no questionamento compulsivo das normas previamente estabelecidas.

Autores como Greg Bear, John Brunner, Alice Sheldon, Frederik Pohl e Philip K. Dick sempre encararam qualquer fórmula narrativa previamente prescrita como um desafio direto. Isso explica por que a ficção científica nunca foi muito bem-vinda nos dois extremos do espectro literário – os livros de histórias em quadrinhos e a “alta literatura”.

Os quadrinhos tratam seus super-heróis com respeito reverente, como a Ilíada retratava os semideuses. Quanto à elite literária, os pós-modernistas desprezam a ficção científica devido à presença da palavra “científica”, enquanto seus colegas mais antigos, profundamente imbuídos da Poética de Aristóteles, vêem como anátema o pressuposto subjacente à maior parte da ficção científica de alta qualidade: a afirmação ousada de que não existem “verdades humanas eternas”.

As coisas mudam, e a transformação pode ser fascinante. Além disso, existe a possibilidade de os nossos filhos nos ultrapassarem. Eles podem nos superar ou podem aprender com nossos erros, deixando de repeti-los. E, se não aprenderem, isso seria uma tragédia que ultrapassaria de longe a definição restrita e míope dada por Aristóteles ao termo.

A Hora Final (On the Beach), No Mundo de 2020 (Soylent Green) e 1984 alcançaram profundidades assustadoras. Admirável Mundo Novo, The Screwfly Solution [sem versão em português] e Fahrenheit 451 postularam questões preocupantes. Contrastando com eles, Édipo Rei é mais ou menos tão interessante quanto observar um peixe fisgado se contorcendo na ponta da linha do pescador. A única coisa que se tem vontade de fazer é matar logo o desgraçado do rei de Tebas, para pôr um fim a seu sofrimento – e encontrar uma maneira de punir aqueles que o atormentaram.

Trata-se de um ponto de vista realmente diferente, que forma uma oposição direta com os credos mais velhos, elitistas, que pregavam a passividade e o respeito imobilizador, encontrados em quase todas as culturas nas quais o trabalho principal do contador de histórias era lisonjear os patrões oligárquicos que punham comida em seu prato.

Imagine-se Aquiles recusando-se a aceitar seu destino predeterminado, agarrando sua espada e saindo à caça das Parcas, exigindo que lhe dessem uma vida longa e gloriosa! Ou Odisseu mandando Agamêmnon e Posêidon às favas e indo juntar-se a Dédalo para fundar uma empresa que produziria cavalos alados e com rodas, em massa, de modo que os mortais pudessem passear pelo ar e pela terra como faziam os deuses – e como fazem os comuns mortais hoje em dia. Mesmo que fracassassem e que os ciumentos deuses do Olimpo os destruíssem, seria uma grande história.

Esse estilo de contar histórias raramente foi visto até algumas gerações atrás, quando os aristocratas perderam parte de seus poderes, a título de castigo por sua irreverência. Mesmo hoje, a perspectiva permanece incerta – e muitos a acham, além disso, menos romântica. Quantos dramas não retratam os cientistas como “loucos”? Quão poucos filmes modernos mostram as instituições americanas funcionando bem a ponto de justificar que alguém se dê ao trabalho de tentar reparar suas deficiências? Não surpreende que George Lucas anseie publicamente pela pompa de reis poderosos, preferindo-a à responsabilidade sem graça assumida pelos presidentes. Muitos compartilham sua crença de que as coisas seriam bem mais interessantes sem a interminável e cansativa argumentação e negociação que compõem uma parte tão grande da vida moderna.

Como seria bom se alguém assumisse o comando! Se aparecesse um líder!

Algumas pessoas perguntam de que adianta procurar lições profundas numa obra de entretenimento inofensiva e escapista. Para outras, a saúde moral de uma civilização pode ser avaliada por sua cultura popular.

Na era moderna, temos a tendência a pensar que idéias são coisas que não podem ser inerentemente nocivas. No entanto, quem pode negar que as pessoas, especialmente as crianças, acabam sendo afetadas por mensagens que são repetidas com freqüência suficiente? É quando uma “lição” é repetida de maneira implacável que até os céticos deveriam começar a tomar nota do que está sendo feito.

As mensagens morais transmitidas por Guerra nas Estrelas não são mero enfeite. Cada um dos filmes da série é repleto de discursos e aulas. Eles representam uma pauta ideológica.

Será que poderemos aprender mais sobre a visão de mundo expressa em Guerra nas Estrelas se traçarmos uma comparação entre o épico de aventura espacial idealizado por George Lucas e seu principal concorrente, Jornada nas Estrelas (Star Trek)?

À primeira vista, as diferenças entre os dois parecem ser superficiais. Uma saga contém uma pequena temática ligada à força aérea (caças minúsculos), enquanto a outra é naval. Em Jornada nas Estrelas, a grande nave é heróica e o esforço cooperativo necessário para mantê-la funcionando é retratado como sendo honroso.

De fato, Jornada nas Estrelas vê a tecnologia como algo útil e, em essência, amigo do homem, apesar de por vezes ser também perigoso. A educação é o grande fator de emancipação dos humildes (exemplo: a Academia Starfleet). As instituições futuristas são basicamente benévolas (é o caso da Federação), se bem que, naturalmente, é preciso combater casos de incompetência e corrupção. O profissionalismo é respeitado, personagens menores têm um papel importante a cumprir e subordinados muitas vezes se transformam em líderes – como acontece nos EUA de hoje.

Em Jornada nas Estrelas, quando as autoridades são desafiadas, isso é feito visando superar os erros delas ou expor vilões específicos, e não com o intuito de retratar todas as instituições como sendo, por natureza, casos perdidos. Bons policiais às vezes atendem um pedido de socorro. Ironicamente, essa imagem fomenta a crítica construtiva à autoridade, na medida em que sugere que qualquer um de nós pode ter acesso a nossas instituições falhas se tivermos vontade suficiente – e, talvez, até mesmo consertá-las, com as ferramentas da cidadania resoluta.

Contrastando com isso, os rebeldes oprimidos de Guerra nas Estrelas não podem recorrer à lei, aos mercados, à ciência ou à democracia. Podem apenas escolher que partido tomar numa guerra civil que opõe duas alas de uma mesma família real, geneticamente superior a eles. Não podem interferir nem criticar. Como os carregadores de lanças homéricos, esse não é seu papel.

Para nos ensinar como distinguir o bem do mal, Lucas dita que se deve avaliar pela aparência. Os vilões usam capacetes nazistas. Eles fazem cara feia ou têm olhos que brilham vermelhos. As histórias de Jornada nas Estrelas, ao contrário, muitas vezes aconselham que não se julgue um livro por sua capa. Acima de tudo, Jornada nas Estrelas, de modo geral, apresenta heróis que são apenas cerca de dez vezes mais brilhantes, nobres e heróicos que uma pessoa comum. Eles conseguem seu intento por meio da cooperação e da inteligência, e não por possuírem alguma grandeza transcendente e inerente que os aproxime da condição divina.

Sim, é verdade que Jornada nas Estrelas às vezes soa politicamente correto a ponto de ser cansativo, parecendo estar sempre pregando um sermão. Os episódios de Jornada nas Estrelas na TV em muitos casos acabaram por quase virar telenovelas. Muitos dos filmes foram muito mal escritos. Apesar disso, Jornada procura tratar de questões reais, conferindo vozes complexas até mesmo a seus vilões e formulando perguntas difíceis sobre as armadilhas que poderemos enfrentar na nossa busca do futuro.

Em todo caso, quando se trata de retratar o destino humano, onde você preferiria viver, supondo que fosse um cidadão comum e não um semideus? Na Federação de Roddenberry ou no Império de George Lucas?

Lucas defende sua visão elitista, tanto assim que declarou ao The New York Times: “É mais ou menos por isso que afirmo que um déspota benévolo é o governante ideal. Ele consegue realizar coisas, de fato. A idéia de que o poder corrompe é muito verdadeira, e o ser humano que consegue superar essa armadilha é um ser humano verdadeiramente grandioso”.

Ou seja: uma figura real ou um semideus, ungido pelo destino (como um cineasta bilionário, por exemplo?)

Lucas freqüentemente diz que somos uma cultura triste, destituída da confiança ou da inspiração que podem ser conferidas pela presença de líderes fortes. Mas não é fato que somos a cultura que gerou George Lucas e lhe ofereceu tantas oportunidades? Não somos justamente a sociedade que gerou todos os especialistas brilhantes que ele contrata – pessoas ousadamente criativas que aplicam sua inspiração individual e sua habilidade cooperativa nos filmes do próprio Lucas? Uma cultura que desafia o velho impulso de homogeneização, ao reverenciar a excentricidade e demonstrar uma sede inusitada pelo diferente, o inovador e o estranho? De que modo se pode afirmar que falta confiança a essa civilização?

A verdade histórica é que todos os déspotas da história, juntos, não conseguiram “realizar coisas” tão bem quanto esta civilização desordenada e autocrítica composta de cidadãos livres e soberanos, que finalmente se libertaram da adoração à classe governante e começaram a pensar por si mesmos. A democracia pode, às vezes, parecer frustrante e bagunçada – mas funciona.

Isso dito, quero reconhecer novamente que Guerra nas Estrelas remete a um arquétipo antigo e muito profundamente humano. Quem ouviu Homero recitar a Ilíada ao lado de uma fogueira de acampamento conheceu o drama em toda sua grandiosidade. Aquiles podia matar mil homens com um toque de sua mão – assim como Darth Vader assassina bilhões de pessoas apertando um botão –, mas nenhuma dessas baixas tem importância quando comparada à saga pessoal do grandioso herói.

Em A Ameaça Fantasma (The Phantom Menace), Lucas quer que gostemos de um garotinho loiro e bonitinho que, mais tarde, vai crescer e assassinar a população da Terra multiplicada várias vezes. Já que o estamos fazendo, por que não tiramos da gaveta o álbum de fotos da família Hitler, para podermos achar lindas as fotos do pequeno Adolf, tão fofinho e adorável, e nos maravilharmos com suas proezas infantis? Também ele foi inocente até o momento em que optou pelo “lado escuro” – logo, vamos adorá-lo!

É verdade que Lucas não tenta desculpar essa piada macabra, dizendo “é apenas um filme”. Em lugar disso, nos apresenta sua saga como se fosse uma tragédia grega repleta de angústia e digna de Édipo. Mas, se fosse verdade, será que Guerra nas Estrelas já não nos teria oferecido uma visão do Lado Escuro que fosse além de uma simples caricatura? Heróis e vilões não seriam diferenciados simplesmente por sua beleza. Os dilemas morais não pareceriam saídos de um livro de histórias em quadrinhos.

Não entre nessa! A apoteose de um assassinato em massa é exatamente o que parece ser. Deveríamos achá-la assustadora.

Alguém se lembra da cena final de O Retorno de Jedi, na qual Luke olha para dentro do fogo e vê Obi-Wan, Yoda e Vader sorrindo nas chamas? Eu me vi esperando que fosse o inferno dos Jedi, pela quantidade de dor que esses três provocaram em sua galáxia e por todas as mentiras que contaram. Mas esse sou eu, alguém que se rebela contra Homero, Aquiles e toda essa tradição. No íntimo, alguns de vocês também são assim.

Não se trata de uma distinção que se apresenta apenas uma vez. Ela marca a principal linha divisória entre a ficção científica real, letrada e humanista, a ficção especulativa, e a maior parte da suposta “ficção científica” que se vê nos cinemas hoje.

A diferença não é questão, realmente, de complexidade, infantilidade, ingenuidade científica ou estilização literária.

A diferença subjacente é que uma tradição se compraz na existência de elites, enquanto a outra se rebela contra elas. Na visão de mundo da ficção científica genuína, os semideuses não são facilmente perdoados quando mentem e matam. O desprezo pelas massas já saiu de moda. Pode haver heróis, até mesmo heróis grandiosos, mas, a longo prazo, ou vamos avançar juntos ou, simplesmente, não vamos avançar.

É verdade que esse tipo de mito vende bem. Sim, mesmo depois de gerações inteiras se rebelarem contra o arquétipo homérico, nós, os filhos de Péricles, Benjamin Franklin e H. G. Wells ainda somos uma minoria. Tanto isso é fato que Lucas consegue tomar posse dos termos e dos símbolos que criamos à mão – nossos amados robôs e naves espaciais – para promover suas próprias finalidades – e ainda ser elogiado por sua “originalidade”.

O maior defeito moral do universo de Guerra nas Estrelas consiste num ponto que Lucas pisa e repisa, na voz de seu personagem-guru sábio, Yoda.

Vamos ver se acerto. O medo deixa você bravo, e a ira torna você mau, é isso?

Reconheço sem pestanejar que o medo tem sido um dos maiores fatores motivadores da intolerância na história humana. Posso visualizar os candidatos a cavaleiros aprendendo a controlar seu medo e sua ira, como vimos, de maneira digna de crédito, em O Império Contra-Ataca. A calma faz de você um guerreiro melhor e previne erros. A ira constante pode prejudicar o bom julgamento. Essa parte é totalmente digna de crédito.

Mas, a seguir, em O Retorno de Jedi, Lucas pega essa sabedoria básica e a perverte, dizendo: “Se você ficar irado – mesmo que o que provoque sua ira sejam a injustiça e o assassinato –, então sua ira vai, automática e imediatamente, transformar você numa pessoa totalmente má. Todas as suas opiniões e posturas políticas serão invertidas de uma hora para outra. Até mesmo a lealdade será abandonada, e seus amigos não vão conseguir trazer você de volta ao bom caminho. Você vai juntar-se imediatamente a seu inimigo jurado, tornando-se o amigo ou aprendiz dele. E tudo isso porque você se permitiu sentir ira diante dos crimes dele”.

Como é mesmo? Daria para repetir tudo outra vez, bem devagar?

Quer dizer que, em outras palavras, sentir ira diante de Adolf Hitler vai levar você a sair correndo e filiar-se ao partido nazista? Peraí, George. Você poderia me dar um único exemplo em que isso já aconteceu? Um só?

Essa afirmação já é uma coisa bastante má de defender. E, sobretudo, é burrice pura e simples.

Ela levanta uma pergunta que alguém deveria haver formulado já há muito tempo. Quem foi que encarregou George Lucas de pregar essa moralidade superficial e doentia a nossas crianças? Se é “apenas um filme”, por que ele está se esforçando tanto para encher seus filmes com esse lixo todo?

Acho que está na hora de optar, pessoal. Esta saga não é apenas mais uma expressão do arquétipo homérico, exaltando as velhas hierarquias de príncipes, magos e semideuses. Ao erguer como sua peça-chave a romantização de um assassino em massa, Guerra nas Estrelas já foi muito além disso. A saga é indigna de nossa atenção, de nosso entusiasmo – e de nossa civilização.

O próprio Lucas nos dá uma pista quando diz “muito tempo atrás, numa galáxia muito distante”.

É isso mesmo. Guerra nas Estrelas pertence a nosso passado sombrio. Faz parte de uma longa e tirânica era de medo, ausência de lógica, despotismo e demagogia que nossos antepassados se esforçaram tremendamente para superar e da qual estamos, finalmente, começando a sair, assistidos pelo espírito científico e igualitário ao qual Lucas dedica um desprezo tão evidente – espírito esse que devemos encorajar em nossos filhos, se quisermos que eles tenham alguma chance de progredir.

Não prevejo ganhar essa discussão em qualquer momento do futuro próximo. Como observou Joseph Campbell, com razão, os costumes de nossos ancestrais mexem com nossa alma de maneiras que muitas pessoas acham romanticamente atraentes, até irresistíveis. Algumas pessoas não conseguem deixar o conto de fadas de lado e passar para leituras mais maduras. Por enquanto, pelo menos, não conseguem.

A longo prazo, porém, a história está do meu lado. Está, porque o rumo do destino humano não será definido no passado. Será decidido em nosso futuro.

E o futuro é meu campo de ação – se bem que, na verdade, ele pertença a todos vocês. A todos nós.

O futuro é o lugar onde nossa posteridade vai florescer.

Fonte:

Arquivo do blog

Seguidores