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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Reflexão Sobre o Dia Mundial Sem Carro

Segue abaixo uma mensagem enviada aos grupos Poabikers e Bike-RS pelo Felipe André Aço.

"Amigos(as),

Segue uma pequena reflexão sobre o dia de hoje.
Abraços,

22 de Setembro: Dia Mundial Sem Carro

Iniciado na França ainda na década de 90, o dia Mundial Sem Carro visa conscientizar as pessoas sobre a emissão de gás carbônico e o modelo de desenvolvimento baseado no automóvel. Hoje o Brasil tem algo próximo a 50 milhões de veículos; em alguns locais como a cidade de Caxias do Sul na serra Gaúcha existe um automóvel para cada duas pessoas o que, isentando-se as crianças e adolescentes que acredita-se não tenham carro, significa dizer que muitos tem mais de um automóvel, o que é de uma ilogicidade tremenda.
Em uma época em que se fala em sustentabilidade, o automóvel é, e sempre foi, o exemplo maior de desperdício energético. Uma pessoa como eu que tem por volta de 65 kg utiliza cerca de 1% da energia do automóvel para se locomover; os outros 99% é utilizado para mover o próprio automóvel. Se o Brasil como um todo tivesse um automóvel para cada duas pessoas estaríamos em colapso a muito tempo. Os Estados Unidos detém a maior frota de veículos do mundo, só não entrou em colapso ainda porque a matéria prima vem de países periféricos, não do seu próprio território.
A impressão que temos é que também estamos em colapso e estamos, principalmente em termos sociais. A frota de automóveis movidos a álcool e gasolina do país gasta 2,5 vezes a mais do que o transporte à diesel e transporta 12% da população. Isto é, 88% da população utiliza menos da metade da energia consumida por um pouco mais de 10% da população. Não sou um ativista lutando contra o automóvel inconsequentemente, até porque sei dos avanços e dos benefícios que o mesmo trouxe à civilização, mas tenho que me basear nos fatos e refletir sobre os mesmos. O automóvel é um câncer maligno que à título de regeneração está destruindo todas as outras células do nosso corpo terra.
Certa vez um cientista, falando a uma plateia de ávidos alunos propõe a seguinte questão: imaginem a criação de uma nova invenção que aumentará a eficiência e a mobilidade de todos tornando a vida mais fácil. O único lado negativo, alerta o cientista, é que para esta invenção funcionar, 50 mil pessoas inocentes terão que morrer a cada ano. O que fariam os políticos? Adotariam tal invenção?
Os alunos estavam prestes a dizer que tal proposição seria completamente rejeitada quando o professor argumentou: -"Esta invenção já existe e se chama automóvel!".
Pois é, o fato é que além dos prejuízos econômicos, sociais, psicológicos e ambientais o automóvel se converteu em uma das piores armas já inventadas. É uma guerra do Vietnã a cada ano. Desafio alguém dizer que não conhece ou não conheceu alguém que foi vítima do trânsito.
Vivemos em uma sociedade onde se mitificou e sacralizou o automóvel. Ele representa muito mais do que um simples e singelo instrumento de locomoção. É o status para o jovem, a vitrine para o profissional liberal o hobby para o executivo, vedete para madame, etc. Todos estes adjetivos são intercambiáveis. Não é de espantar, portanto, que boa parte da classe média brasileira invista mais em seu automóvel do que investe em sua casa ou mesmo na educação de seus filhos. O carro vale muito mais do que sua representação venal. Ele é um símbolo de status, poder, virilidade, maturidade e realização. Não é por acaso que as SUV's são recordistas em vendas (muito embora também o sejam em acidentes), pois tem uma significação de superioridade, autoridade e poder que vai além dos outros automóveis.
As pessoas não compram mais um automóvel, elas satisfazem um desejo. Desejo esse que não é autentico, mas é a representação de um ideal social: "Serei feliz se tiver este objeto!". É impressionante como a geração do consumo, que tem pouco mais de 50 anos, é refém da publicidade. Somos condicionados a amar determinado carro, pois este está associado com determinada beldade. Ou a comprar determinada cerveja, pois esta representa o brilho e a festa que eu mais desejo ou, por outra, apreciar determinado refrigerante, pois este apóia a minha liberdade e fantasia. Aliás, liberdade é o marketing principal para a utilização do automóvel: ter autonomia, poder ir e vir. Certamente os marketeiros não falam sobre a possibilidade de ir e vir em uma metrópole como São Paulo por exemplo.
As pessoas precisariam aprender que a felicidade não se acha nas coisas, mas talvez estejamos por demais imbricados no meio social para conseguirmos perceber isso. Passamos 2/3 de nossa vida lutando para adquirir coisas e outro terço tentando se curar da ganância e das conseqüentes doenças do stress adquiridas neste tempo de conquista. Entre a conquista e as doenças talvez consigamos sobreviver, mas jamais viver.
O Chefe Seattle em 1854 já anunciava que "todas as coisas estão ligadas" . Se hoje podemos caminhar na terra deve-se a uma complexa conjunção de fatores bioquímicos que possibilitaram que este planeta não fosse uma imensa bola de fogo. Da mesma forma, se hoje temos condições de se alimentar é porque existe um ser capaz de armazenar energia do sol. Reverenciem as abelhas, pois se não fossem elas, muito pouca diversidade de plantas teríamos na terra. Aplaudam os fitoplânctons, pois eles possibilitam a existência de oxigênio na atmosfera. O Chefe Seattle que talvez tenha sido o primeiro ecologista de fato, já anunciava no século XIX que "o que acontecer a terra, acontecerá aos filhos da terra!". O fato é que nós, seres racionais e humanos, continuamos a acreditar que somos o centro do universo e que, portanto, este deve nos servir.
É importante falarmos de energias renováveis, mas antes deveríamos falar em vidas renovadas. O problema da energia não é o da fonte, mas dos detritos. Enquanto acreditarmos que não temos nada a ver com os dejetos que nós mesmos produzimos, que não somos responsáveis por aquilo que descartamos, continuaremos utilizando o automóvel indiscriminadamente. A lógica ingênua de nossa civilização é a de acreditar que basta ter o meu quintal arrumado que tudo está bem. Se existe um ninho de ratazanas se desenvolvendo no quintal do vizinho isso não é da minha conta. Somos responsáveis não só por nossa própria vida, mas pela de nosso planeta.
Quanto vemos os ideólogos e políticos contemporâneos falarem sobre sustentabilidade e modo de vida, vemos grande pregações sobre novas vias rodoviárias, necessários estacionamentos verticais, novos túneis, etc. As autoridades referendam a premissa traiçoeira do desenvolvimento econômico a qualquer preço. Precisamos de desenvolvimento humano, mas nunca a qualquer preço: cidades mais HUMANAS em que as pessoas estejam em contato com a natureza e que as vias sejam espaços de prioridade para a vida, não para os carros. Já repararam como é tratado o pedestre e o ciclista nas ruas? Não! Definitivamente as estradas não são para as pessoas. Certamente alguns poucos audazes e corajosos arriscam-se pedalando pelas cidades, não são muitos, mas certamente não estão sós.
Refletir sobre uma sociedade sem carro possibilita pensar em uma vida em harmonia com o universo. Somos parte e ao mesmo tempo o todo do nosso planeta. Talvez, por isso, devêssemos pensar qual a nossa responsabilidade. Será através do gesto, da mudança de hábito, da divulgação de um estilo de vida mais saudável? Bom, de qualquer forma vou tirar a minha bicicleta da garagem.

Felipe André Aço"

4 comentários:

Marina Quico e Alice disse...

Oi Olavo!

Por aqui não vi nenhuma movimentação diferente. Me pareceu um dia qq... Eu, não usei o carro, mas dei umas voltas de bici.
Aliás, estou tentando me aprimorar nisso e passar a usar, cada vez mais, a bike como meio de transporte. bjs

Olavo Ludwig disse...

É isso ai Marina, depois que se tomo o gosto pelas pedaladas,se descobre que não há meio de transporte melhor!
Faz tempo que não entro no teu blog, deve ter um monte de coisas legais lá, assim que der coloco a leitura em dia. Beijão pra vcs ai!!!

manouchk disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
manouchk disse...

Muito interessante! Eu acho que infelizmente se discute muito sobre preservação das matas, biodiversidade esquecendo um outro conceito importantíssimo quando se fala em sustentabilidade. O conceito de energia não é muito discutido talvez porque é mais abstrato. "Não vende" na mídia? Isso foi a reflexão da minha irmã que mora nos Estados Unidos e percebeu a mesma coisa lá!

Emmanuel,
Vitória SUstentável,
http://manouchk.blogspot.com/

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